Estação Osasco da CPTM agora tem sala para acolher vítimas de assédio

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estação cptm
As linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda da CPTM atendem Osasco, Barueri, Carapicuíba e região / foto: Luana Moraes/Visão Oeste

A sala para acolher vítimas de violência e de importunação sexual nos trens e estações da CPTM já está funcionando em Osasco, que atende as Linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda. Outras quatro estações também receberam o espaço.

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A iniciativa, que recebeu o nome de “Espaço Acolher” faz parte do programa “Em Movimento Por Elas”, lançado em março deste ano pela CPTM em parceria com o Instituto Avon e tem o objetivo de acolher, com segurança a privacidade, as vítimas para que elas possam denunciar o ocorrido.

A Companhia disponibilizará ainda a todos que forem testemunhas um atestado, para que a pessoa possa justificar um atraso ou até uma falta ao trabalho. “Se uma mulher quiser a nossa ajuda, ela poderá recebê-la em qualquer estação, mas se quiser um Espaço Acolher, o objetivo é que ela tenha que se movimentar por apenas mais uma estação para ter um atendimento mais reservado”, afirma Pedro Moro, presidente da CPTM.

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Além de Osasco, as estações que também receberam o Espaço Acolher são Francisco Morato (Linha 7-Rubi), Villa-Lobos-Jaguaré (Linha 9-Esmeralda) Santo André (Linha 10-Turquesa) e Brás (Linhas 7-Rubi, 10-Turquesa, 11-Coral e 12-Safira). Até o momento, 23 estações da CPTM já têm o espaço e até o final do ano, a estimativa é de que esse número passe para 35.

47,6% das mulheres já sofreram ou conhecem mulheres que já sofreram importunação sexual no transporte público

Na região, entre os casos que motivaram a criação dos espaços nas estações estão o de um homem que foi detido após ejacular em uma mulher na Linha 9-Esmeralda, que sai de Osasco com destino ao Grajaú. O ocorrido foi registrado por uma passageira que gravou imagens, na estação Hebraica-Rebouças. Na estação Sagrado Coração, em Jandira, outro homem foi detido após passar a mão na perna de uma passageira.

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Além disso, a Companhia realizou a Pesquisa Voz Feminina CPTM durante o mês de março e ouviu 1,2 mil passageiras que embarcavam nos trens. O levantamento, que também foi realizado em 2018 e 2019, mostrou resultados nada animadores.

As respostas, que foram obtidas apenas por entrevistadoras mulheres, mostraram que 47,6% das mulheres já sofreram ou conhecem mulheres que já sofreram algum tipo de importunação sexual no transporte público em geral, sendo que 69,3% destes crimes aconteceram dentro de trens, 14,7% no Metrô e 11,7% em ônibus. No entanto, apenas 15,6% denunciaram o ocorrido.

“Sabemos que esses resultados são ruins e por isso estamos trabalhando para que o assédio sexual nos trens e estações diminua ou até desapareça. Para isso, estamos criando espaços de acolhimento para as vítimas e campanhas de incentivo a denúncia e para que as pessoas que estiverem por perto testemunhem, demostrando para o agressor que a CPTM será totalmente hostil a quem praticar estes atos covardes dentro do sistema”, afirma Pedro Moro, presidente da Companhia.

Além das ações de combate à importunação e ao assédio sexual nos trens e estações, a CPTM possui uma central de monitoramento da segurança, que funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, com 14 pessoas trabalhando por turno, que controlam mais de 2.500 câmeras em estações, e até dezembro serão mais de 4.000 câmeras.

Nos trens, são mais de 6.000 câmeras de olho em todo o movimento durante a circulação. Todos os casos denunciados são registrados pela Companhia, que também é a responsável pelo encaminhamento do agressor para a autoridade policial.

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