Mulher abusada dos 3 aos 11 anos publica vídeo do tio confessando o crime | assista

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mulher relata abuso
O tio confessou o crime depois de ter sido confrontado por Carla, que gravou toda a conversa / foro: reprodução

O relato da violência sexual sofrida na infância da carioca Carla Vanessa Venâncio da Silva tem alcançado e comovido muitas pessoas desde a publicação do vídeo gravado (veja abaixo) por ela em que o tio confessa ter abusado sexualmente dela, dos 3 aos 11 anos.

A auxiliar administrativa decidiu denunciar e falar abertamente sobre a violência após buscar ajuda psicológica. A denúncia foi feita em setembro do ano passado e desde então, a vítima procura na Justiça alguma medida que faça o tio pagar pelo que fez.

O tio, um homem de 46 anos, confessou o crime depois de ter sido confrontado por Carla, que gravou toda a conversa. “Primeiro ele diz que não, mas depois assume tudo. Ele confessou tudo na frente do sogro, cunhada, namorada, na minha frente. Ele pediu perdão”, disse a vítima, que tomou coragem para expor o crime 24 anos depois, logo após desabafar com a família e uma tentativa de suicídio.

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No vídeo, o tio é questionado por Carla diversas vezes, mas não olhava para ela. “Hoje eu posso falar para vocês, jamais faria isso novamente. Eu não queria fazer ela sofrer. Eu tinha muito medo disso acontecer, pedia muito a Deus para não chegar esse momento. Mas eu sabia que isso acontecer. Eu chorei muito. Pedi para você [Carla] não contar. Não destrua essa amizade tão bonita que tenho com meu irmão”, ele diz.

Carla conta que o primeiro abuso aconteceu na casa da mãe dela, quando ainda tinha 3 anos. Depois, a violência se repetiu por muitas vezes na casa do seu avô paterno, no bairro do Vicente, Rio de Janeiro, onde ela morava. “Minha mãe lavava roupa para outras pessoas, a gente era muito pobre. Ela saiu para levar as roupas e pediu ao meu tio que ficasse comigo lá em casa. Ele me colocou dentro do quarto e começou a me forçar um sexo oral, o primeiro estupro. Ele colocava o pênis na minha boca, eu fechava a boca. Ele abria ela de novo até ‘finalizar’ o que queria”, diz.

Os relatos da mulher logo após 24 anos do fim da violência são fortes. Ela diz também que já foi parar no hospital por conta de um estupro anal praticado pelo tio na cama do avô. “Tive sangramentos, minha mãe e meu pai me levaram ao médico. Foi identificada uma infecção intestinal, o médico nem tocou em mim. Como eu não sabia o que tinha ocorrido, não falei nada. O médico concluiu que a infecção que tive foi por conta de amendoins que eu tinha comido. Fiquei muitos anos proibida de comer amendoim de novo, até isso ele tirou de mim. Depois disso, ele arranjou outras formas de me estuprar”, conta a vítima.

Carla conta que o tio fazia brincadeiras no quarto e pedia para ela não contar. “Ele colocava o pênis para fora e esfregava no meu corpo, ‘roçava’ na minha vagina. Ele sabia exatamente o que ele estava fazendo. Isso aconteceu por várias vezes. Eu arranho a minha pele até hoje, onde ele se esfregava. Sou obrigada a cortar as unhas para parar de me machucar”

Somente aos 15 anos, Carla passou a entender a situação, mas com o sentimento de culpa e vergonha, não contou a ninguém. “Era uma aula de educação sexual, na 8ª série. Quando foram explicando tudo, só conseguia me sentir culpada, que eu merecia passar por tudo aquilo. As falas dele, dizendo que eu era boazinha e que não ia contar para ninguém, ecoavam na minha cabeça”.

Somente em setembro do ano passado, após contar para os pais e para o irmão, a vítima decidiu procurar o abusador. Ela conta também que a família por parte de pai se afastou. “Mesmo com a confissão, eles preferem não acreditar. E, para piorar, além de não acreditarem, ainda me deram um apelido: ‘a estuprada de Taubaté’, em referência àquela mulher que teve uma falsa gravidez”.

Hoje, Carla é ativista e fundadora do grupo de apoio a vítimas de abusos “Florescendo Vanessas”. “Converso com as mulheres, tento ajudar da forma que posso. Posto relatos anônimos, quero que ninguém passe mais pelo que passei”, conta.

O caso foi relatado ao Ministério Público, mas teria sido encerrado, de acordo com a Polícia Civil do Rio de Janeiro.

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