“O PT está se encontrando”, diz Emidio

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Emidio de Souza é o candidato da região mais votado, com 55 mil votos

Emidio de Souza (PT) é um dos pré-candidatos de Osasco e região a deputado estadual. Para a campanha, tem como estratégia relembrar seu legado como prefeito de Osasco, entre 2005 e 2012, e destacar o fato de ser o candidato apoiado pelo deputado estadual osasquense Marcos Martins (PT), que não disputará a reeleição, afirmou, em entrevista durante visita à redação do Visão Oeste.

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Emidio defende que em suas gestões, “Osasco deu um salto extraordinário na sua economia, na geração de empregos, nas obras, nos serviços públicos”.

Ele destaca ainda o fato de já ter sido deputado estadual, cargo que exerceu entre 2003 e 2004. “Não vou chegar na Assembleia para aprender como funciona a Assembleia. Fui deputado, fui primeiro-secretário da Assembleia. E já tenho me apoiando um deputado que está lá, que é o Marcos Martins, que já está com projetos em andamento. Então, não vou perder tempo com isso, vou chegar sabendo o que tem que ser feito”.

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Ex-presidente do PT-SP, Emidio diz que o partido “saiu do fundo do poço” e “está se encontrando”. “Nós temos um legado em Osasco. E o povo de Osasco reconhece o legado do PT em nível nacional também. As pessoas vivem, sabem, se beneficiam até hoje de políticas do PT na cidade, no país. O PT está se encontrando em torno do legado que ele mesmo construiu”.

O petista também diz que o líder nas pesquisas para o governo do estado, João Doria (PSDB), “é marketing”, e ataca Jair Bolsonaro, que tem sido vice-líder nas pesquisas de intenção de voto à presidência, atrás de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que cumpre pena em Curitiba.

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“Não tem nada na cabeça. As poucas coisas que saem da cabeça do Bolsonaro são para potencializar o ódio, quebrar a democracia, espalhar o desentendimento no país”.

Confira a entrevista completa:

Visão Oeste: Quais suas principais bandeiras para caso seja eleito deputado estadual?

Emidio de Souza: Sou uma candidatura regional, portanto, não podemos nos afastar das bandeiras regionais, a defesa da nossa cidade, da nossa região, o que pudermos fazer para essa região se desenvolver ainda mais. Mas acho que também o mandato de deputado estadual só faz sentido se tiver bandeiras muito específicas.
Quero continuar trabalhando nas bandeiras de saúde do trabalhador que o deputado Marcos Martins já trabalha, como a questão do combate ao amianto, a questão do benzeno (Marcos Martins é autor de lei que proíbe os postos de combustíveis de todo o estado de São Paulo de abastecer os veículos além do limite da bomba), e agregar a isso outras coisas, também na área ambiental, a questão de biodiesel, qualidade dos alimentos, agrotóxicos… São Paulo é um grande produtor de alimentos, então, é preciso de muito cuidado, precisamos de legislação protetiva cada vez maior. Então, toda essa parte de saúde do trabalhador, aliás, não só do trabalhador, das pessoas… alimentação saudável, vida saudável, qualidade de vida.
Há temas novos que quero tratar também, como proteção animal, que é parte da vida moderna…
E sempre fui um deputado ligado à questão da fiscalização do Executivo, pelo bom uso do dinheiro público e instrumentos que deem cada vez mais transparência para a sociedade perceber como o recurso público é aplicado.

Você tem dito que quer manter o legado do deputado Marcos Martins (que não vai concorrer à reeleição e escolheu Emidio como seu candidato). Quais os destaques deste legado?

Foram mandatos muito bons, o Marcos tem foco. Ele pegou essa questão do combate ao amianto, que é muito importante para o Brasil, e se fosse só isso já teria valido a pena o mandato dele.
E tudo que é ligado à questão de saúde do trabalhador também, da assistência às pessoas com câncer… Tudo isso que o Marcos vem tratando eu quero tratar. Foram mandatos realmente vitoriosos.

Você foi prefeito de Osasco até 2012 e, pelo que mostra nas redes sociais, vai ressaltar na campanha por vaga na Alesp realizações de suas gestões na cidade. Quais suas principais realizações como prefeito de Osasco?

Tenho orgulho de ter sido prefeito em uma época em que Osasco deu um salto extraordinário na sua economia, na geração de empregos, nas obras, nos serviços públicos. E essas obras e serviços estão aí para as pessoas verem, infelizmente alguns com uma queda de qualidade notável.
Em questão de infraestrutura, teve a abertura de novas avenidas, como a Hilário [Pereira de Souza], a Superavenida, que pouca gente lembra, pois já está tão incorporada à vida da cidade… A Superavenida, mais as obras do Largo, mais a duplicação da rua da Estação, a duplicação da Manoel Pedro Pimentel, formaram um novo corredor viário em Osasco, uma nova entrada para a cidade, muito importante. Teve também a duplicação da avenida João Goulart, a duplicação da Visconde de Nova Granada, o prolongamento da Hirant Sanazar até o Jardim D’Abril… Obras que mudaram o perfil de Osasco.
Tenho muito orgulho do trabalho feito de inclusão social, as parcerias, o apoio à economia solidária, à geração de empregos, ao cooperativismo, coisas que realmente inovaram e serviram de exemplo para muita gente no Brasil e fora do Brasil.
Tem também, na questão econômica, o fato de Osasco ter saído da 25ª posição no Produto Interno Bruto (PIB) e ido à 11ª. E isso não acontece por acaso, foi fruto tanto do investimento em infraestrutura quanto da qualificação da mão de obra, quanto do novo Código Tributário implantado em Osasco. Criou-se um ambiente para prosperar novos negócios em Osasco, novos tipos de empresa.
Além disso, os investimentos em Saúde, Educação, Habitação, são fartamente conhecidos: urbanização de favelas, Minha Casa, Minha Vida, canalização de grandes córregos, obras contra as enchentes no Rochdale, 18 novas escolas, CEUs, programas de inclusão, Escolinha do Futuro, Recreio nas Férias… tanta coisa.
Outro destaque é que toda Osasco sabe o respeito que tive pelo servidor municipal. Não é respeito só do ponto de vista de dar bom dia, eles tiveram direitos conquistados, ampliação de direitos, novo Estatuto do Magistério, Plano de Carreira da Guarda etc. Muita gente teve novas conquistas.

Depois dos seus mandatos, o prefeito foi Jorge Lapas, um indicado seu, que pode ser um de seus rivais na disputa (Lapas hoje está filiado ao PDT). Como avalia os mandatos dele e como é sua relação com ele hoje, em caminhos distintos?

Minha relação com ele é de amizade, respeito. Sou amigo do Lapas, da família dele, conversamos frequentemente. A saída dele do PT, evidentemente com a qual eu não concordei, é um episódio… Ele teve direito de escolher o caminho dele, respeito.
Foi um bom prefeito, um prefeito que procurou manter a cidade no caminho do crescimento, alguém que deu sua contribuição para Osasco continuar crescendo. Não gostaria de disputar com o Lapas, pelo grau de amizade que nós temos, mas é um direito dele também disputar. Se tiver que ser assim, será, num clima de maior respeito que eu sempre tive por ele.

O PT chegou dividido nas eleições municipais de 2016. Teve o deputado federal Valmir Prascidelli como candidato a prefeito de Osasco, mas com grupos apoiando nos bastidores as candidaturas de Lapas e Rogério Lins. Continua a divisão? Como o PT chega para estas eleições?

O PT chega melhor. Algumas pessoas saíram do PT, foram trilhar o caminho próprio… Lapas, Gelso [de Lima, pré-candidato a deputado estadual pelo Podemos], Mazé [Favarão, hoje no PMB] e outros. Nós ficamos e o PT está se reorganizando, está se fortalecendo, mais unificado.
Feridas às vezes levam tempo para ser curadas, mas estão sendo, porque o fato é que, apesar de o PT ter dividido nas eleições de 2016, nós temos um legado em Osasco.
E o povo de Osasco reconhece o legado do PT em nível nacional também. As pessoas vivem, sabem, se beneficiam até hoje de políticas do PT na cidade, no país. O PT está se encontrando em torno do legado que ele mesmo construiu.

Além de você outro candidato forte do PT a deputado estadual na região é Sergio Ribeiro, ex-prefeito de Carapicuíba. É possível eleger os dois?

Acredito muito na minha eleição. Respeito também o direito do Sergio ser candidato, Carapicuíba é uma cidade grande, ele foi prefeito, não há como negar a ele esse direito. É normal, ele vai ter a campanha dele em Carapicuíba, eu terei campanha em Carapicuíba, ele terá alguma campanha em Osasco também. Deixa as pessoas fazerem livremente as suas escolhas. As pessoas conhecem a minha trajetória, minhas qualidades e meus defeitos, minha capacidade de fazer política. Sou um deputado que não precisa chegar lá e aprender, eu sei. Conheço muito bem a região e já fui deputado, conheço os problemas daqui e não vou chegar na Assembleia para aprender como funciona a Assembleia.
Fui deputado, fui primeiro-secretário da Assembleia. E já tenho me apoiando um deputado que está lá, que é o Marcos Martins, que já está com projetos em andamento. Então, não vou perder tempo com isso, vou chegar sabendo o que tem que ser feito.

Como tem avaliado a gestão de Rogério Lins (Podemos) como prefeito de Osasco?

De maneira muito negativa. Não só eu, a imensa maioria do povo de Osasco está perplexo de ver o que ele se comprometeu a fazer e o que ele está fazendo. Não tem nada de renovação, é uma administração que não tem obras novas, não tem serviço novo. Ele não consegue nem manter funcionando aquilo que tem: sistema de saúde, escolas, manutenção da cidade estão claramente prejudicados. E o que está em andamento, a sede da Prefeitura, ele simplesmente largou pra lá. No aniversário de Osasco ele falou que ia retomar e não retomou nada.
É um governo fraco, mal assessorado. No secretariado, fora um ou outro, a maioria são pessoas que não têm competência para a função. A impressão que dá é que ele não sabe para que rumo Osasco vai, para que rumo que ele quer levar Osasco. É muito ruim a situação atual, uma decepção.

Como avalia os governos do PSDB no estado e a candidatura de João Doria, que é favorito nas pesquisas de intenção de voto para manter os tucanos no governo?

Fui coordenador de duas campanhas a governador, em 2010, com [Aloizio] Mercadante, e 2014, com o [Alexandre] Padilha, e é impressionante, São Paulo é um estado que está completamente ausente da política pública. Eles saíram, praticamente da área de conservação de estradas, porque passaram tudo para a iniciativa privada; saíram boa parte da operação do Metrô, que também foi para a iniciativa privada; o Metrô cresce a uma velocidade que é incompreensível. Na gestão do PSDB em São Paulo, desde 1994, há 24 anos, o Metrô de São Paulo cresce a razão de 500 metros por ano, uma tartaruga andaria mais que isso. É muito ruim, muito difícil, tudo muito lento.

E por que, mesmo com todas essas críticas, o PSDB continuou sendo reeleito e aparece como favorito, enquanto o PT tem tanta dificuldade?

Porque aqui eles juntaram o apoio da mídia e pequenas iniciativas, importantes, mas que não… Botam um Bom Prato aqui, um Poupatempo ali, coisas importantes mas que não mudam a vida do povo para valer. O que muda a vida do povo é investimento pesado em transporte, em educação, saúde, habitação.
A CDHU, que é uma companhia de habitação do estado, foi criada em 1986, tem 32 anos. Ela construiu em 32 anos mais ou menos 500 mil unidades. O Minha Casa, Minha Vida, criado em 2009, há nove anos, construiu quase um milhão de casas no estado de São Paulo. A política do PSDB é essa, é muito baseada no marketing, é o João Doria.
O que o João Doria fez no tempo em que foi prefeito da Capital? Ele ganhou a eleição no primeiro turno, não tinha um projeto na cabeça. O projeto dele era vender: vender o Anhembi, vender Interlagos, vender não sei o que… Ele não tem um projeto para falar: ‘olha, eu vou mudar a educação aqui, o transporte…’ Não. Era marketing. Se vestia de gari, isso e aquilo. E é isso que novamente o PSDB oferece para São Paulo, deteriorando-se os índices de segurança pública; deteriorando-se os índices de saúde; o emprego; no meio ambiente, não há nenhuma iniciativa ambiental importante em São Paulo… Passaram 30 anos para limpar o rio Tietê, enterraram bilhões de dólares ali, e o Tietê continua tão morto quanto antigamente.

Com Luiz Marinho como candidato, como fazer para reverter essa preferência tucana no estado? E por que o PT decidiu por candidatura própria ao invés de apoiar outro candidato em um estado onde tem tanta dificuldade?

O PT, nas disputas que teve no estado desde 2002, sempre ficou em segundo lugar. Em 2002 foi ao segundo turno, com [José] Genoino, contra o próprio Geraldo Alckmin. Em 2006 não teve segundo turno, mas o Mercadante ficou em segundo lugar com 36% dos votos; em 2010 não teve segundo turno por muito pouco, mas o PT ficou com 35% dos votos; em 2014, não teve segundo turno e o PT teve, com o [Alexandre] Padilha, 18%. A média histórica do PT pode se recuperar agora, ele pode ter 25% dos votos, com Luiz Marinho. E isso garante a presença dele no segundo turno. Então, não acho que o jogo em São Paulo está decidido.
O PSDB tem um candidato a presidente, o Alckmin, que está revelando uma fragilidade no estado impressionante. As pesquisas indicam o Alckmin em quarto lugar em São Paulo.

É curioso. Por que, de um candidato que ganhou no primeiro turno a última disputa ao governo, Alckmin enfrenta hoje tanta dificuldade para deslanchar em sua candidatura à presidência?

Vai chegando uma época em que as pessoas vão vendo. Qual a política concreta, o que São Paulo ganhou nesses anos do Geraldo Alckmin por iniciativa do governo? As novas estradas, a duplicação da Tamoios, foram tudo fruto de concessões à iniciativa privada.
As escolas estaduais do estado continuam tão atrasadas quanto antes. A expansão do ensino universitário em São Paulo só se faz pela [Universidade] Federal, não por universidades estaduais, não tem cumpus novos da USP, Uniesp, Unicamp. O plano em São Paulo, quando você pensa nessa ideia de enxugar o estado, o estado ficar menor… Nada foi tão agressivo neste sentido como em São Paulo. O estado é um exemplo acabado de como se sai da saúde, do transporte… Não tem nada em expansão em São Paulo.
O trem que está indo até Cumbica agora é recurso federal, o Rodoanel é recurso federal, a modernização do Porto de Santos recurso federal.
O PSDB mantém a dianteira aqui com operação política e de marketing, essa é a verdade. E há uma blindagem na imprensa, não sai nada, os escândalos não saem, o cunhado do Geraldo pegando dinheiro, tem denúncia, e, no caso dele, mandam para a Justiça Eleitoral, para não se submeter à Lava Jato. O [Fernando] Capez, presidente da Assembleia, é indiciado e o escândalo da merenda não é apurado…
A vida do Geraldo ficou fácil esses anos. Esse negócio do Rodoanel, sabe quem fez a primeira denúncia? Eu, em 2001, quando era deputado estadual. Propus a CPI do Rodoanel, apontei onde estavam os desvios e eles não aprovaram. Agora, 17 anos depois, começam a sair as denúncias. Então, há uma blindagem muito grande.
A Sabesp passou para controle privado a maioria e ela se comporta mais de acordo com os acionistas do que com o interesse público. A expansão do serviço de água e esgoto em São Paulo é mínima, quase nada. Agora, depois do susto de anos atrás, com a escassez de água, que a Sabesp fez algum investimento para tentar suportar. Mas a falta de planejamento nessas áreas é gritante.

E sua avaliação sobre os outros principais candidatos ao governo, Márcio França (PSB) e Paulo Skaf (MDB)?

O Paulo Skaf é o candidato que representa o capital em São Paulo, não tem nada a oferecer de novo. É o mesmo que, dois anos atrás, mobilizou o empresariado, colocou a Fiesp em prol do golpe que foi dado no Brasil em 2016. Um papel muito ruim, porque ele vendeu para o Brasil a ideia de que ‘olha, você não pode pagar o pato’ e, na verdade, quem não queria pagar o pato era ele, porque o povo está pagando o pato desse golpe. Transformaram a Fiesp num comitê político, algo que o Ministério Público deveria investigar. O Skaf instrumentalizou a Fiesp, o Sesi, o Senai para a carreira política dele. Respeito muito o trabalho do Sistema S, sou filho do Senai, não apoio é a instrumentalização política disso. O trabalho de profissionalização que eles fazem é importante.
Sobre Márcio França, espero que ele tenha algo a dizer em São Paulo. Ele cresceu à sombra do PSDB no estado e tem uma oportunidade de fazer diferente. Vamos ver o comportamento que ele terá no governo do estado no tempo que falta. Até aqui ele não demonstrou nenhuma aptidão para apresentar uma política nova. O que ele está fazendo, num curto espaço de tempo, é cooptar os prefeitos.

E o que Luiz Marinho pode fazer de diferente?

Ele vem de uma administração importante em São Bernardo do Campo. Ocupou dois ministérios e foi criativo, criou a política de valorização do salário mínimo que vigorou durante o governo do presidente Lula, promoveu acordos na cadeia automotiva para criar políticas que valorizassem o emprego, foi incentivador do consumo da linha branca para manter o emprego. Ele é experiente em políticas públicas, em criar políticas públicas inovadoras. E ele tem o selo do PT, do que o PT fez, do que o PT é capaz.
Fruto da eleição de 2016, em que o PT estava no fundo do poço, perdemos as principais prefeituras, mas o PT já governou quase todas as grandes cidades do estado de São Paulo. Já governamos três vezes Capital, Osasco, São Bernardo do Campo, Santo André um monte de vezes, Guarulhos, Mauá, Santos, Campinas, Piracicaba, Ribeirão Preto. Então, o PT tem um acúmulo de experiências de governo que podem dar suporte ao governo do Luiz Marinho.

Você falou em fundo do poço. O PT saiu do fundo do poço?

Sim. Ainda não atingiu o auge do que já teve de apoio, entre 2008 e 2012, onde o PT chegou a ter 32% de preferência nacional quando se perguntava qual o partido de preferência das pessoas. É um número muito alto, um terço da população, praticamente, tinha o PT como partido. No auge da crise, do impeachment, de tudo, em 2015 atingimos 10%, em nível nacional. Mesmo assim, era o partido mais preferido. Hoje as pesquisas já indicam o PT com 21%, 22%. Ou seja, estamos na metade do caminho e subindo de novo. Em razão até do que o que veio depois do PT, tanto no plano nacional como nas cidades, é muito pior que o PT. O PT cometeu erro, teve problemas, nós já reconhecemos isso. Agora, nós tivemos políticas consolidadas, geramos empregos, movimentamos a economia, melhoramos a vida das pessoas, fizemos o país ser um país respeitado lá fora. E tudo isso num ambiente democrático.

O PT insiste em manter a candidatura de Lula, mesmo preso, à presidência. Não há uma dependência muito grande do partido em torno de um único líder?

Não é que tem dependência. O PT tem uma expressão que o povo brasileiro reconhece como o maior líder da nossa história. O Lula mudou a vida de milhões de pessoas, então, evidentemente, as pessoas sabem reconhecer isso. Se o povo quer o Lula, por que o PT não vai querer? O PT sabe que o Lula é o único capaz de unificar o país, de pacificar o país, acabar com esse clima de ódio, botar de novo o país para gerar empregos, gerar oportunidades para as pessoas. Eramos considerados o país mais otimista do mundo e hoje nosso país está de cabeça baixa, não sabe para onde ir. O Lula é a chance de o Brasil se reencontrar.

Os críticos do PT dizem que Lula é maior que o partido. O PT sobrevive sem Lula?

Quando você tem um candidato a presidente da República ele sempre vai ter mais intenção de voto do que o partido, isso acontece com todos eles. Se você pegar o [Jair] Bolsonaro… que partido ele é mesmo? Ah, o PSL. O PSL é maior que o Bolsonaro? Quando o Fernando Henrique era presidente ele era maior que o PSDB. Então, essa questão não se coloca.
Lula foi um líder capaz de dialogar com a sociedade inteira, com quem é petista e com quem não é petista. Isso é próprio de estadista, de gente que enxerga o país como algo maior. E o Lula é vítima de um processo injusto e ilegal, de uma condenação sem provas. É um preso político. Vamos ser claros: Lula está preso não é por causa de apartamento, nem nada disso. Lula só está preso para evitar que ele seja candidato a presidente da República.

Então, não há mesmo um “plano B”?

Nós vamos com Lula, vamos registrar ele dia 15 de agosto. Estamos organizando a campanha dele, escolhendo coordenação de campanha dele, programa de governo será lançado em breve.

E quem deve ser o vice do Lula?

Estamos dialogando com os partidos. Temos preferência para ter vice de outro partido, mas não é uma situação fácil. É uma eleição atípica, nosso candidato está preso injustamente.

Pelas pesquisas até o momento, o principal adversário do Lula na disputa à presidência deve ser Bolsonaro. Como vê a candidatura dele e esse crescimento do conservadorismo na sociedade?

Ele é um candidato que não tem nada a dizer ao país a não ser ódio. Ódio, preconceito contra nordestinos, contra mulheres, contra tudo. É um candidato perigoso não pelo que ele representa de votos, mas espanta porque ele é um candidato de quem não acredita na política.
E quem não acredita na política, acredita em solução mágica, em alguém de caráter messiânico. É um desserviço, um atraso para o Brasil, um país que viveu ditadura, botar alguém que não tem nada na cabeça. E as poucas coisas que saem da cabeça dele são para potencializar o ódio, quebrar a democracia, espalhar o desentendimento no país.

E por que tem tanta gente embarcando nessa?
Porque tem muita gente desesperançosa, que acha que vai aparecer um salvador da pátria para resolver a situação. Não vai melhorar. O Brasil, para melhorar, precisa de entendimento político, precisa escolher alguém com capacidade de dialogar.
Alguém vê o Bolsonaro dialogando com o Congresso? Alguém vê o Bolsonaro sentado com as centrais sindicais, com o mundo empresarial? Não. Tudo que ele fala é fechar o Congresso, é que mulher tem que ganhar menos mesmo, é preconceito contra negros. Lamento que parte da nossa sociedade se encante com uma proposta ridícula como a do Bolsonaro.

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