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Osasquense é nomeada técnica da Seleção Brasileira de Paracanoagem para os Jogos de Tóquio

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A moradora de Osasco Maria Angélica se prepara para embarcar com toda a delegação brasileira para os Jogos Paralímpicos de Tóquio, no Japão / Fotos: Arquivo Pessoal

Aos 38 anos, Maria Angélica Rozalen, nascida e criada no Jardim Veloso, em Osasco, se prepara para viver uma das maiores realizações de sua vida e carreira. Recém convocada para integrar a comissão técnica da Seleção Brasileira de Paracanoagem dos Jogos Olímpicos de Tóquio, a profissional se prepara para embarcar com toda a equipe rumo ao Japão.

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Formada em Educação Física, a osasquense teve contato com canoagem aos 25 anos, quando foi convidada pelo amigo para lecionar no projeto Clube Escola de Remo e Canoagem, na represa do Guarapiranga. Na época, Maria Angélica decidiu se aperfeiçoar na modalidade e fazia questão de marcar presença em todas as competições que aconteciam na raia olímpica da USP. O convite que abriu as portas da seleção brasileira veio em 2014, quando foi indicada para ser auxiliar técnica da Seleção Olímpica de Canoagem, na categoria júnior, ao lado do técnico português Rui Fernandes.

clube escola de canoagem
Projeto Clube Escola / Foto: Arquivo Pessoal

Sua primeira participação em uma competição internacional foi em 2015, quando foi para Portugal junto com a equipe júnior. “Eu conhecia a canoagem no Brasil e já achava o máximo. Quando saí do país, vi que o esporte era muito maior, mas eu ainda não havia me identificado. Apesar de ter feito muitos amigos, senti que faltava algo”, lembra a profissional.

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A trajetória de Angélica na paracanoagem começou após ter sido convidada pelo técnico Thiago Pupo para integrar a equipe paralímpica. “Nos conhecemos durante os cursos que fizemos juntos. Então ele, que é um grande amigo e mentor, já sabia a minha forma de trabalhar, que não tinha tempo ruim, que se precisasse entrar na água para resgatar um atleta ou retirar algum barco, eu iria. Foi quando comecei o meu trabalho com os atletas com deficiência”, declara.

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Seleção Brasileira no Mundial de Canoagem e Paracanoagem, em Portugal / Foto: Reprodução

“O paradesporto traz a pessoa com deficiência de volta à vida”, diz

Angélica afirma que sua paixão pelo paradesporto, que engloba todas as modalidades esportivas praticadas por pessoas com deficiência, inclusive a paracanoagem, vai além da dedicação ao treinamento dos atletas. “O paradesporto traz a pessoa com deficiência de volta à vida. Porque, muitas vezes, ela acredita que não pode fazer nada e o paradesporto prova o contrário. Além de descobrir que pode, o atleta começa a conquistar coisas que vão além de medalhas, como a independência. Com os seus resultados, muitos conseguem patrocínios, então a família também começa a se reestruturar psicológica e financeiramente. E me sinto muito honrada em trabalhar na formação e no desenvolvimento dessas pessoas”, destaca.

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Seleção Brasileira de Paracanoagem / Foto: Arquivo Pessoal

Quando Angélica entrou para a equipe paralímpica, em 2015, o grupo já se preparava para iniciar o ciclo olímpico Rio 2016, ano em que a paracanoagem entrou para o programa de Jogos Paralímpicos e marcou sua estreia com a conquista da medalha de bronze, pelo atleta Caio Ribeiro. Com o fim do chamado ciclo 2016, a equipe paralímpica brasileira não perdeu tempo e deu início ao ciclo seguinte, rumo aos Jogos Olímpicos de Tóquio.

“A gente conta cada ciclo como um preparo de quatro anos. É um trabalho longo, diário, que envolve outras competições no decorrer desse período, como a Copa do Mundo, mas o foco maior são os Jogos Paralímpicos. A gente aprende que a busca por medalhas é definida por detalhes, então não dá para perder tempo”, pontua.

Pandemia, incertezas e adaptações na paracanoagem

A osasquense, ao lado de alguns membros da comissão brasileira e atletas, já fez uma visita técnica ao local das competições, em Tóquio, e os preparativos seguiam a todo vapor. “A gente precisa conhecer o ambiente, a raia, ver de qual lado o vento bate, entre outros detalhes que precisam ser observados para não nos depararmos com alguma surpresa”, explica Angélica.

A incerteza e os desafios que surgiram em meio à pandemia causaram grandes impactos no mundo e no esporte não foi diferente. Todas as competições foram canceladas, inclusive os Jogos em Tóquio, previstos para 2020. “Tudo foi cancelado, mas os atletas seguiram treinando. Como eles já treinavam em lugares reclusos, em Ilha Comprida e São Bernado do Campo, continuaram com os treinamentos de força e musculação”, diz a treinadora.

Sem acesso às águas, devido às restrições impostas pela pandemia, a equipe precisou passar por algumas adaptações e o simulador de remo, também conhecido como caiaque ergômetro, foi um dos grandes aliados nesse processo. “Esse aparelho já é utilizado em dias que não dá para treinar na água, como quando tem muito raio ou as águas estão muito agitadas. Então ele foi essencial para que os atletas continuassem treinando os movimentos, as remadas. Não foi fácil, mas não tinha muito o que fazer. A gente precisava da vacina e foi um tempo muito difícil. Adaptamos, como sempre fizemos na canoagem, sem perder a qualidade do trabalho”, completa.

Nesse ano, com a chegada das vacinas, a seleção conseguiu disputar a Copa do Mundo de Canoagem, na Hungria. “O que o futebol é para o Brasil, a canoagem é para a Hungria. Então o retorno às competições nesse país foi um grande marco. Claro, com todas as restrições, fazíamos testes todos os dias, usando máscara e álcool gel sempre. Fomos buscar o restante das vagas e conseguimos. O Brasil vai para os Jogos Paralímpicos com atletas fortes, brigando por medalha. E outra, na Hungria, o Fernando Rufino conquistou medalha de ouro em duas embarcações!”, comemora a treinadora.

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Copa do Mundo de Paracanopagem, na Hungria / Foto: Reprodução

Osasquense em Tóquio? Presente!

Nos Jogos Paralímpicos de Tóquio, que acontecem entre os dias 24 de agosto e 5 de setembro, o Brasil será representado em 20 das 22 modalidades que compõem o programa, com uma delegação composta por 253 atletas. Na paracanoagem, foram convocados sete atletas: Caio Ribeiro, Fernando Rufino, Mari Santilli, Luis Carlos Silva, Giovane Vieira, Debora Raiza e Adriana Gomes. Já a comissão técnica de canoagem é formada pelos treinadores Maria Angélica, Thiago Pupo e Akos Angyal; o coordenador técnico Leonardo Maiola e a fisioterapeuta Carolina De Lazari.

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Reprodução/ Comitê Paralímpico Brasileiro

“Esses Jogos, por si só já entram para a história por tudo o que o mundo está passando. Voltar para uma competição em meio a pandemia, ir para o outro lado do mundo, vendo que o trabalho realizado diariamente pelos técnicos em casa ou na academia, está dando resultado é muito gratificante. É como se estivéssemos renascendo. Infelizmente perderam-se muitas pessoas, muitas famílias foram dilaceradas, e poder representar o Brasil nesse período é uma forma de dizer: ‘Vamos acreditar que vamos vencer. Vamos todos sair dessa’ e os Jogos é a prova disso”, declara a treinadora, entusiasmada.

Angélica lembra como foi difícil chegar ao que considera o ápice da carreira no esporte, que é a convocação para os Jogos Paralímpicos. Entre os desafios, ela precisou lidar com a desconfiança que existe no meio esportivo: para ser técnico, você precisa ser um ex-atleta. “O Thiago Pupo e eu estamos provando que não é isso. Ser um ex-atleta ajuda, mas não significa que isso fará de você um excelente técnico. Graças a Deus estou aqui, com muito trabalho, estudo, dedicação, paciência… Muitas vezes, no meio do caminho a gente pensa em desistir, mas a família e os amigos não deixam”, comenta.

Com o coração cheio de expectativa e confiante por todo o trabalho realizado diariamente com os atletas e toda a equipe, apesar dos desafios, Angélica também carrega a satisfação de representar a cidade de Osasco.

“Como osasquense, tenho um orgulho muito grande de levar o nome da minha cidade Osasco. Sendo mulher, negra, periférica e poder chegar no nível mais alto, é uma satisfação, orgulho, reconhecimento de todo trabalho que vem de lá de trás, então me sinto honrada. Levo comigo pessoas muito importantes, levo o nome da minha família, dos meus amigos, de Osasco e do Brasil nessa convocação”, finaliza.

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