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Pré-candidato a deputado federal, Eliseu Lopes quer focar sua luta no tratamento dos dependentes químicos

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Bacharel em Direito e formado em teologia, o pré-candidato a deputado federal Eliseu Lopes (Patriota) esteve na última semana no Visão Oeste. Morador de Osasco e há 16 anos com um trabalho voltado à internação e recuperação de usuários de drogas, Lopes diz que há pouca ou quase nenhuma atenção do governo na questão, que envolve saúde pública e segurança.

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Para ele, é preciso um controle maior das fronteiras para evitar a entrada de drogas e investimento em clínicas de reabilitação.

Simpatizante e eleitor assumido de Jair Bolsonaro (PSL), Eliseu Lopes defende a liberação de armas para o cidadão comum e a privatização dos presídios como forma de resolver parte dos problemas relacionados à superlotação das prisões no Brasil. Confira a entrevista:

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Visão Oeste: Por que você decidiu ser candidato?

Eliseu Lopes: Hoje, no Brasil, são 40 milhões de usuários de drogas. Crack, maconha e cocaína são as que as pessoas mais aderem. E isso falando de drogas ilícitas, fora as lícitas como o álcool.
Quando eu interno um dependente químico ele deixa de ir para um hospital e isso reflete no sistema de saúde. Quando eu tiro um usuário de drogas que comete delito nas ruas, eu estou tirando um criminoso, que atinge de maneira direta a segurança pública.

E como funciona esse trabalho?

Eu disparo uma imagem nas redes sociais. E tenho amigos que são donas de casas de recuperação. Atraio essas pessoas e faço uma triagem, vejo aquelas que de fato querem ajuda e eu vou indicando para as casas de recuperação. Algumas são pagas e algumas são gratuitas. São anos internando dependentes químicos. Claro, aqueles que querem ser internados.

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Você tem uma ideia de quantas pessoas já conseguiu ajudar?

Mais de 200. Parece muito, mas é pouco. Se eu de fato for eleito, poderei fazer muito mais. Só de emendas parlamentares, um deputado tem acesso a R$ 21 milhões ao ano. Se sem ter nada eu já consigo fazer um trabalho de excelência, se eu tiver acesso à verba que está lá farei muito mais.
Tem um pessoal que tem compartilhado o meu material e a bandeira que eu levanto. Nessas eleições a gente tem o quesito internet. Acredito muito nas redes sociais, a gente está forte lá.


E o que você achou da política do ex-prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), de tirar os usuários da rua e levar compulsoriamente para clínicas de reabilitação?
Pelo que eu entendi, eles estavam cometendo delitos. Penso que teria que ter um estudo maior, para não agredir essas pessoas. Existem pessoas que não tem mais vontade própria. Quando a pessoa quer, é uma decisão maravilhosa. Droga é um problema de saúde pública que precisa ser tratado. Mas o Estado não oferece tratamento adequado para as pessoas.

E o que fazer para resolver?

O governo é omisso. A droga entra aqui [no Brasil] a torto e a direito. Dizem que não dá para fechar totalmente as fronteiras. Um pré-candidato que diz isso não deveria chegar ao poder.
Na minha casa só entra quem eu quero. Só vai entrar um cachorro no meu quintal se eu deixar o portão aberto. Tem o Exército, a Marinha e a Aeronáutica que poderiam trabalhar aí para barrar a entrada de drogas.

Você já tinha sido candidato antes?

Eu estava no PSDC. Concorri, nas eleições municipais de 2016, para vereador em Osasco. Não fui eleito, mas pude ajudar muitas pessoas. A política está sendo o meio para que eu chegue até essas pessoas. Imagine só, desenvolvo esse trabalho há 16 anos e não sabia que isso era política.

E quantos votos você teve?

Tive 531 votos. Modéstia parte fui bem votado. Sem estrutura nenhuma, só na chinelada você movimentar 531 pessoas a sair de casa com seu nome, com seu número. É algo significativo.
O governador Márcio França (PSB), por exemplo, na primeira campanha que disputou teve 451 votos. Isso me animou. Estou no caminho certo.

Como foi a saída do PSDC para o Patriota?

Vi que o partido não tinha estratégia. Eu ia trabalhar e não ia atingir o coeficiente. Hoje o PSDC, para fazer uma cadeira de federal, precisa ter pelo menos 300 mil votos. Percebi que esse partido não iria atingir, foi quando eu migrei. E o Patriota me abriu as portas, me deu a oportunidade.

E você é contra a reeleição?

Sou contra. Talvez amanhã, se eu for eleito, eu pense diferente. Mas sou contra. Tem que ter alternância de poder. O político hoje no Brasil faz carreira e eu sou contra. Deveria cumprir seus quatro anos, talvez mudar para cinco, e acabou.

Como se destacar dos outros candidatos?

As pessoas querem uma renovação. Estão cansadas da velha politica, do toma lá dá cá. Eles [os políticos tradicionais] agem em conluio, dão dinheiro para um, para outro, compram as pessoas e as pessoas são pegas na necessidade. Diferente do meu caso.
Eu ajudo as pessoas sim, mas eu estou ajudando várias pessoas. Quando eu interno um dependente, eu estou ajudando o usuário, a família e a sociedade. É uma troca, sim, mas acabo beneficiando a sociedade como um todo.
Além disso, tem a bandeira dos dependentes químicos… Ninguém levantou essa bandeira até hoje da forma que tenho levantado. Eu mostro resultados. De cada 10 pessoas que eu interno, pelo menos 7 mudam de vida. Vou bater nessa tecla.
Mas tenho outras propostas: Osasco não tem uma maternidade digna. Precisa ter. Vou lutar por uma de alto padrão, porque dá para fazer. E construir um hospital infantil, além de uma clínica de reabilitação para atender pelo menos 500 pessoas.
A maioria das clínicas [para dependentes químicos] trabalha de forma irregular e a minha ideia é regularizar. Não basta ter o CNPJ. Elas precisam do título de utilidade pública para pleitear verbas públicas. O governo federal disponibiliza essa verba, mas eles não têm acesso porque não tem a documentação.

E com quem será sua principal dobrada?

Vou dobrar com o [ex-secretário municipal] Gelso de Lima (Podemos). Foi ele quem abraçou minha causa. Fechei com ele, ele é experiente. E eu preciso andar com gente experiente. Em Osasco, é o Gelso de Lima.

Mas vai procurar outras dobradas?

Em Osasco é só ele. Fora, andei conversando com outros pré-candidatos. Tenho trabalho em outras cidades, como Cotia e São José dos Campos. Nessa minha caminhada fiz amigos e essas pessoas veem os benefícios que tenho proporcionado para os dependentes.

Qual sua avaliação do governo do estado de São Paulo?

Tem que ter alternância de poder. E, nesse quesito, o Márcio França tem uma conduta moral ilibada. Ele pensa diferente do Geraldo Alckmin (PSDB). Ele acredita que dá para fazer mais. Espero que não seja só um discurso, porque meu partido vai apoiar ele.
E outra, como vice-governador ele não podia fazer nada. Mas caso seja eleito, teria uma alternância de poder, porque o PSDB esta há muito tempo no governo.

Sobre a candidatura do ex-prefeito João Doria, você acha que ele é o “novo”?

Ele vai ter que mostrar muito. Nos debates, vai ser colocado contra a parede e mostrar que é diferente. Penso que ele [Doria] se queimou por estar à frente da Prefeitura de são Paulo e já sair. Fez uma promessa que não ia sair, caiu em descredito. A maioria faz isso.

E quanto à candidatura do Paulo Skaf?

Ele tem pregado que irá implantar o Sistema S na rede pública. Acho interessante. Hoje, no estado, alunos com 10 anos não sabem ler e nem escrever, porque não se valoriza o professor. Professor, para mim, deveria ganhar uns R$ 10 mil por mês. Professor, policial, bombeiro… Todos deveriam ganhar pelo menos R$ 10 mil no início da carreira. Para esse menino que está na periferia um dia sonhar: eu quero ser um policial, um professor.

E você lamenta que não tenha dado certa essa ida do Bolsonaro para o Patriota?

O Bolsonaro iria para o Patriota, o estatuto quem mudou foi ele, o nome quem mudou foi ele, mas acabou não indo. Acho que ele leva o público dele, um público seleto de seguidores. Hoje está no PSL, desejo boa sorte.

E você, tem preferência por ele?

Meu partido não tem um pré-candidato a presidente da República ainda. Para mim, Bolsonaro representa o novo. Apesar das pessoas serem contra. Claro que eu não gosto dessa coisa de tortura, que às vezes ele fala. Eu até entendo que na hora da raiva ele fale as coisas.

Como um entusiasta e eleitor do Bolsonaro, essa política dele com relação às armas não piora a situação?

Você tem que dar o direito do cidadão se defender. Vou falar de forma bem grotesca: sou trabalhador. O cara comete crime a torto e a direito. Três, quatro assaltos por dia. Ora, ele vem me assaltar (estou dando exemplo, não tenho arma e nunca tive) tenta tirar minha vida, ele é alvejado, ele morre. É um criminoso a menos na rua.
Eu não sou criminoso. O Brasil é formado por pessoas de bem em sua maioria que tem que ter o direito de se defender. O Bolsonaro tem essa linha de pensamento e eu o sigo. Porque o Estado em si não protege a população. Cada pessoa que fosse assaltada deveria processar o Estado.

E você é a favor da intervenção militar?

Aí o problema está na educação. Imaginemos um local com 200m² e uma goteira nesse lugar. Vai se colocando balde para não molhar o chão e o balde enche. E aí colocam uma caixa d’água. Essa caixa é a intervenção. Troca-se o recipiente, mas a goteira continua.
Não funciona. Tem que mudar o interior das pessoas. Ensinando as crianças para que não haja essa goteira. Você não vê a intervenção militar do Rio?

Para você, como está o governo Temer?

Ah, é péssimo. Ele está lá só para ocupar lugar. É como se tirasse o frentista de um posto de gasolina e colocasse um boneco inflável. É isso. Quem passa vê um boneco ali, mas não faz nada.

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