“Bolsonaro é tiozão do pavê e Doria o menos pior em SP”, diz pré-candidato do MBL

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Pré-candidatos a deputado federal e estadual pelo DEM, respectivamente, Kim Kataguiri e Arthur do Val, do canal “Mamãe Falei” no Youtube, estiveram em Osasco na quarta-feira, 6, para darem uma palestra sobre participação política, liberalismo e conservadorismo.

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Dois dos líderes do Movimento Brasil Livre (MBL), um dos principais grupos articuladores do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, eles visitaram a redação do Visão Oeste antes do evento e concederam entrevista na qual falaram sobre projetos e analisaram a conjuntura política atual.

Sobre as eleições presidenciais, mesmo com a liderança nas pesquisas de intenção de voto, eles dizem considerar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que cumpre pena em Curitiba, “carta fora do baralho”. “O Lula preso, é risível que ainda se considere que vai ser candidato. E mesmo que fosse, não ganharia de jeito nenhum. É um morto, acabou”, afirmou Arthur do Val.

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Os representantes do MBL também não poupam críticas ao deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ), que aparece atrás de Lula nas pesquisas. “A única chance de o Bolsonaro vencer a eleição seria ir para o segundo turno com o Lula”, analisou Kataguiri.

Os dois dizem que inclusive fizeram uma aposta sobre Bolsonaro: “A gente discorda e apostou R$ 500. Eu aposto que o Bolsonaro vai para o segundo turno e perde e ele [Kataguiri] acha que nem para o segundo turno ele vai. A gente tem a mesma tese, de que Bolsonaro está no teto, recordista em mídia espontânea, a internet é dele, só que isso não é o suficiente para se ganhar uma eleição majoritária”, continuou Arthur do Val.

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Flávio Rocha 

Apesar de o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), cogitar candidatura à presidência e o partido deles, DEM, ainda não ter uma posição definida para a eleição, os representantes do MBL já definiram apoio ao empresário Flávio Rocha (PRB), dono da Riachuello. “Ele defende privatização, revisão do pacto federativo, reforma previdenciária, reforma na segurança pública etc”, afirmou Kim Kataguiri. “Nossa entrada no DEM foi condicionada à liberdade completa tanto na defesa de propostas quanto de candidato à presidência da República”.

Sobre a disputa ao governo do estado, declaram considerar João Doria (PSDB) o “menos pior”. “Márcio Franca é esquerda, Skaf corporativista e o Doria o menos pior. Simples desse jeito”, declarou Arthur do Val.

Como deputados, eles afirmam que vão atuar pela “revogação de leis inúteis”, mudanças na segurança pública para fortalecer as polícias e em defesa das privatizações e do Estado mínimo, garantindo apenas Saúde, Educação e Segurança. De preferência, não diretamente.

Confira a entrevista completa:

Visão Oeste: Quais são as principais propostas de vocês?

Arthur do Val: Em resumo é o seguinte, o que eu posso falar por nós dois é… primeira medida: dar o exemplo, cortar verba de gabinete. Não sei quanto exatamente que a gente vai conseguir cortar, mas pretendo cortar pelo menos metade. Cortar carro oficial, motorista, esse tipo regalia, e votar contra qualquer tipo de aumento de benefícios, aumento do próprio salário, aumento de servidores etc.
Segundo passo: criar uma comissão para se revogar leis inúteis. Por exemplo, o Fernando Holiday (vereador pelo DEM), fez isso em São Paulo e uma das leis que ele achou foi uma que regulamenta a densidade da massa do pastel, acredite de quiser. Uma outra lei regulamenta o tamanho da mesa de bilhar em botecos. Tem lei de regulamentação de recipiente de vinagrete…

Kim Kataguiri: Precisa parar com a mentalidade de que o Legislativo é fábrica de leis. No Brasil, hoje, com a quantidade de leis que se tem, o melhor legislador é aquele que mais revoga lei, porque o que mais tem hoje é lei atrapalhando. Começa por aí, mudando a mentalidade do Legislativo, que hoje, principalmente em Câmaras Municipais, não deixa de ser um ‘puxado’ do Executivo.

E vocês não acham que pode acontecer a mesma coisa com vocês no Legislativo estadual ou na Câmara federal?

Arthur do Val: É uma boa pergunta. Mas é assim… Qual o nosso diferencial? O que a gente acredita que seja diferente na gente? Em primeiro lugar, a gente vem de um sistema de comunicação muito forte, que é a internet. Então, tudo que a gente faz é exponenciado porque a gente fala com muitas pessoas, não só com as pessoas que a gente tem proximidade. Você pega ali uma página com um milhão de inscritos, um milhão de curtidas, você fala com o Brasil inteiro e aquilo toma proporções extremamente grandes. Isso faz com que você consiga fazer uma pressão muito maior.
O segundo ponto é: além disso, um projeto político liberal, que beneficia a todos, genuinamente você consiga convencer as pessoas de que é um bom projeto, faz com que a própria pressão popular das pessoas, independente da nossa máquina de comunicação, faz com que as pessoas votem a favor daquilo.
Um exemplo que a gente pode ter é a PEC do Teto [de Gastos, que impõe um teto aos gastos públicos pelos próximos 20 anos], algo extremamente impopular entre os parlamentares, porque limita os gastos do governo, e mesmo assim passou, porque a população entendeu que era o momento de fazer. Todo mundo falou ‘meu, se eu não votar a favor dessa PEC de Teto, o que vai acontecer? Vai gastar mais, vai ter de cobrar mais imposto e as pessoas vão cobrar de mim’. Então, apesar da oposição esquerdista, passou com folga. E a gente acredita que dá para fazer assim com tudo.
Alguns dos projetos que nós dois temos, ambos em suas esferas, são pela melhoria da segurança pública. No meu caso, por exemplo, o fortalecimento da Polícia Militar. Isso é algo em que não dependo de votação de ninguém, são emendas que a gente pode dar, exemplos que a gente pode fazer e fortalecer a Polícia Militar, que é algo que as pessoas costumam demonizar. Isso é algo que precisa ser feito.

Você não acha que há uma alta taxa de letalidade policial?

Arthur do Val: Você diz que a polícia mata muito? Então, ela também morre muito. Para nós, são aqueles clichês né… Vêm pessoas da imprensa falar ‘ah, mas a polícia mata muito…’ Não, nós vivemos em um dos países mais violentos do mundo, temos uma taxa de homicídios superior a duas bombas atômicas, taxa de homicídios maior do que a de países que estão em guerra. Então, não tem como a polícia não matar muito.

E o que é uma polícia forte?

Arthur Moledo: Polícia forte é aquela que, em primeiro lugar, tem estrutura, tem condições de atuar naquilo que lhe é cabível. Então, por exemplo, um policial quando vai atrás de um bandido, em primeiro lugar tem que ter o equipamento necessário: um bom colete a prova de balas, que é coisa que falta hoje na polícia; uma arma que vai deixar ele na mão em um momento crucial. E nós precisamos de leis estruturais que favoreçam o trabalho da polícia.
Hoje, por exemplo – e isso é uma proposta já de nível federal, do Kim – a gente não tem o ciclo completo de polícia. Então, às vezes o policial tem a boa vontade de querer solucionar para poder prevenir, para querer realmente acabar com um tipo de criminalidade que está acontecendo repetidamente, e ele não consegue porque não tem ciclo completo de polícia. Ele acaba caindo em uma burocracia imensa que impede o trabalho dele.

Kim Kataguiri: É, se assaltarem aqui o jornal, por exemplo, e a gente ligar para a Polícia Militar, o policial não pode colher testemunho, não pode pegar imagem de câmera, não pode fazer absolutamente nada para mandar para o Ministério Público. Tem que remeter para a delegacia, para o delegado, dependendo da boa vontade dele, mandar um agente, o agente vem aqui, pega, vai na delegacia, da delegacia vai para o Ministério Público, o Ministério Público pede prazo para o Judiciário, o Judiciário dá prazo para o Ministério Público e volta para a delegacia. Então, para cortar isso e fazer com que a gente tenha uma polícia mais próxima à de países desenvolvidos, é preciso mudar isso estruturalmente.


Meu foco é mais na legislação, Código Penal, Código de Processo Penal e Lei de Execução Penal e na próxima lei que regulamenta o poder de cada polícia, Militar, Civil e Federal. Hoje, a polícia mais eficiente que a gente tem é a Federal, que é o que mais se aproxima de um ciclo completo de polícia, apesar de ainda não estar 100%, estar meio informal, por decisão administrativa do governo e não por legislação, uma coisa meio capenga. Então, é preciso formalizar, fazer com que as polícias possam, ao mesmo tempo, todas, ter o poder de investigar, prevenir o crime, fazer ronda ostensiva.
E fazer com que você não tenha uma taxa de rotatividade tão alta dentro dos presídios, porque hoje o cara comete um crime, cumpre um sexto da pena, vai para o regime semiaberto e, no regime semiaberto, quando não existem locais para você cumprir o semiaberto, ele está solto todo dia. Então, nesse sentido, precisa ter uma reforma profunda para que: a gente acabe com o regime semiaberto; a gente tenha, obrigatoriamente, a vinculação e a criação do crime de responsabilidade para os governadores que tiverem dinheiro em caixa e não criarem novos presídios quando estiverem faltando vagas, porque a falta de vagas em presídio é por populismo, porque não vale a pena você construir presídio eleitoralmente.
Vem o [governador] Márcio França (PSB) aqui… ‘vou abrir um presídio em Osasco’… Ninguém vai votar nele por causa disso, pelo contrário, ele vai ficar impopular. Agora, é preciso. E existe um fundo específico para isso, tanto federal como estadual e existe dinheiro sobrando nesses fundos. A gente vive uma crise fiscal, mas, milagrosamente, esse é um dos únicos fundos superavitários, que os governadores preferem não utilizar. Então, criar um crime de responsabilidade para que ele, de fato, seja obrigado a criar, ou ficaria suscetível a um processo de impeachment.
A Lei de Execução Penal prevê que o preso trabalhe para receber, para se qualificar como profissional e se ressocializar quando sair do presídio e para indenizar a vítima também. E por que isso não acontece na prática? Porque você não tem a criação de novos estabelecimentos prisionais. Os locais nos presídios que existem hoje, em que os presos deveriam estar trabalhando, já estão lotados de presos, porque não existe vaga no presídio e precisa utilizar o espaço para lotar de preso.
A solução para isso é criar essa vinculação, esse crime de responsabilidade, para que o governador utilize esse fundo e haja, cada presídio, como já é previsto na legislação e você não precisa mudar nada, só, digamos assim… ‘dar o incentivo’ positivo ou negativo, para que o governador crie esses estabelecimentos e, aí sim, os presos estejam separados pelo nível, grau, periculosidade do crime, mas também tenham acesso a um ambiente escolar e de trabalho.

Não há um encarceramento em excesso para crimes ‘menores’?
Kim Kataguiri: Aqui no Brasil existe esse mito de que as pessoas vão presas por crimes de menor potencial ofensivo. Isso não acontece já há algum tempo. Os crimes de menor potencial ofensivo vão para o Juizado Especial Criminal (Jecrim) e, em regra, não são mandados para a cadeia. Da maioria dos crimes previstos no Código Penal, menos de 5% você começa com regime fechado, em que o cara, de fato, vai para a cadeia.

Na Educação, vocês defendem o Escola Sem Partido. Seria uma Escola Sem Partido ou ‘Escola Sem Política’? Não se falaria de política na escola?

Arthur Moledo: As pessoas normalmente formam a opinião sobre um texto a partir do que outras pessoas estão dizendo sobre aquilo. Já ouvi falar muito que é lei da mordaça, que é lei que vai punir o professor que falar de uma ideologia que o pai não quer… E o Escola Sem Partido é muito simples: não cria nenhum direito e não cria nenhum dever. E mais, não cria nenhum tipo de punição, e as pessoas não prestam atenção nisso. Ele simplesmente fala que a escola tem que colocar um cartaz dizendo os deveres e os direitos já previstos na lei vigente. Nada mais do que uma reafirmação de uma lei que está sendo ignorada.
Vou dar um exemplo: um professor quer ensinar criacionismo, o outro quer ensinar darwinismo. Isso não é doutrinação. O que o professor não pode fazer é, quando um aluno tem uma opinião diferente da dele, ele perseguir o aluno ou incentivar outros alunos a, de alguma forma, reprimirem aquele pensamento.

Kim Kataguiri: Isso já está em legislação, só que os alunos não sabem.

Arthur Moledo: O Escola Sem Partido só serve para o aluno ver e saber ‘nossa, eu teno esse direito’. O que é doutrinação? É o professor ter uma opinião? Não. O professor pode, inclusive deve, ter uma opinião e defender a opinião dele. Isso, jamais, a legislação atual ou o Escola Sem Partido prevê algum tipo de punição a isso ou quer cercear a liberdade do professor. A questão é o que é uma doutrinação? A perseguição de um pensamento diferente do dele. Não só isso, também a omissão de outros temas ali previstos em lei que ele deve apresentar e não apresenta.
Isso ocorre muito no Brasil. Não precisa acreditar em mim, se vocês entrarem no Facebook e escreverem lá Escola Sem Partido, vejam os vídeos, fotos, depoimentos de vários alunos e professores que estão nitidamente doutrinando e sendo doutrinados. Posso dar um exemplo para você de um professor de uma menina que, em um dia poderia ir com a camiseta que ela quisesse, ela entrou na sala com uma camiseta do Bolsonaro. O professor não gostava do Bolsonaro e começou a gritar com a aluna, falar ali ‘esse tipo de coisa a gente não pode aguentar, isso é defender ditadura…’. Isso é uma doutrinação. Diferente de o professor falar ‘eu não gosto do Bolsonaro, não concordo com as ideias dele’, o que é perfeitamente normal. Tive vários professores de diversas visões políticas e nenhum me doutrinou. Tenho vários professores que são absolutamente socialistas, são meus amigos hoje no Facebook e tal… Sou bloqueado por alguns, mas por outros não, e isso é perfeitamente normal. A gente não pode permitir que haja um abuso de autoridade do professor para doutriná-los.

Kim Kataguiri: A maioria das pessoas, a favor e contra, não leram o projeto, não sabem do que o projeto se trata, de fato. Por isso tem tantas falhas, tanto na defesa do projeto quanto na crítica ao projeto.

Tem aquela foto clássica de vocês junto ao [ex-presidente da Câmara preso sob acusações de corrupção] Eduardo Cunha (MDB-RJ). Isso acabou confundindo, misturando as coisas… Vocês se aliaram ao Cunha?

Kim Kataguiri: Não. A gente protocolou o pedido de impeachment (da ex-presidente Dilma Rousseff) ao presidente da Câmara dos Deputados. Não foi como se a gente tivesse tirado uma selfie, é uma foto da imprensa. A gente protocolou porque tinha que ser protocolado e a única pessoa que tem legitimidade para receber e acolher o pedido de impeachment.

Quando usam aquela foto acusam vocês de estarem com o Cunha e hoje…

Arthur do Val: Não, se for assim, a gente pode tomar como base que o juiz Sérgio Moro é peessedebista, porque ele tem foto com o [senador] Aécio [Neves – PSDB/MG] e com [pré-candidato a governador João] Doria (PSDB).

Mas o que vocês acham disso para um juiz?

Arthur do Val: Na foto que foi tirada com o Aécio, pegaram um momento em que eles estavam em um evento. Não é que ele estava na casa do Aécio… ‘e aí cara, quanto tempo, me dá um abraço’. Não. Pegaram eles em um momento em que eles estavam no evento, o Aécio foi falar com ele, ele ouviu e tiraram a foto. Na outra ocasião, foi um prêmio que ele foi receber nos Estados Unidos e o Doria foi receber outro prêmio, eles se encontraram lá e tiraram a foto. Não tem nada de mal nisso.
É muito importante que a gente deixe claro… justamente nessa questão da foto com Eduardo Cunha ou até de projetos que o próprio governo, no caso do Temer, coloca e a gente defende, fica parecendo que você está defendendo a pessoa. Não, estamos defendendo a ideia.
Quando o governo acertou, no caso, a PEC do Teto, a reforma Trabalhista, ou quando propôs a reforma da Previdência, que a gente não concordou 100%… Nós vamos apoiar a ideia independente de quem estiver propondo. Nós não votamos no Temer, não confiamos no Temer. Tenho medo de tomar processo, mas, eu, pessoalmente, acredito que o Temer seja um corrupto. Nem por isso as propostas do plano de governo dele são ruins. A gente tem que separar o joio do trigo.

Você defendem a reforma Trabalhista, criticam a CLT. Acreditam mesmo que se não houver uma lei dizendo que o salário-mínimo é 900 e pouco, o patrão vai pagar um salário razoável?

Arthur do Val: Se o patrão não pagar ao funcionário o que ele vale, ele vai trabalhar em outro lugar. Muito mais forte do que uma caneta na mão do governante para determinar qual o valor do trabalho é o próprio mercado.
Digo mais: uma coisa é a viabilidade econômica disso, os reflexos econômicos dessa reforma trabalhista, isso é uma parcela da resposta. Outra parcela é mais ideológica, o que eu acredito de verdade que a gente deveria fazer, que é rasgar a CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas). Nenhum grupo de pessoas pode, de maneira autoritária, julgar o quanto vale, o quanto você deve negociar sua mão de obra individual. Não acho que um grupo de sindicalistas, um grupo de burocratas pode intervir no meu corpo, na minha produção laboral, porque eles acreditam que seja melhor ou pior para mim. Acho isso extremamente autoritário, antiético, imoral.
Nada melhor, para acabar com o desemprego, aumentar o salário, do que um ambiente construtivo, convidativo para mais empresas. Só tem um jeito de você subir salários, aumentar o crédito das pessoas de maneira não artificial, de maneira realmente espontânea: é trazendo mais empresas para que haja mais empreendedorismo e, a partir daí, se tenha mais disputa pela mão de obra do trabalhador.

Qual deve ser o papel do Estado? O que o Estado deve garantir?

Arthur do Val: Mínimo, garantindo Saúde, Educação e Segurança. E mais: não diretamente. Quando eu falo para você, por exemplo, que o Estado deve garantir a Educação para todos, não necessariamente ele deve atuar diretamente nisso. Como assim? Hoje nós, por exemplo, defendemos algo que é inconstitucional, infelizmente, que é o sistema de voucher.

O que é esse sistema de voucher?

Arthur Moledo: Como funciona hoje: eu sou o governo, quero te dar educação; eu vou lá e construo a escola, contrato professor, dou um jeito de trazer merenda, fazer com que aquela escola funcione.
Via de regra o governo é péssimo em tudo que faz, então ele é caro e ineficiente. Tanto é que um aluno da rede pública hoje custa mais caro do que na rede particular e os índices do Ideb só mostram que a qualidade do ensino é péssima.
O que seria o sistema de voucher? Você cobra impostos das pessoas e, com esse valor dos impostos, você cria um voucher e esse voucher você vai dar diretamente ao beneficiário e o beneficiário vai ter poder de escolha sobre o que fazer exatamente com aquele voucher. ‘Bom, eu tenho voucher da Educação, vou estudar na escola A, B, C ou D?’ E aí ele vai escolher a escola que ele quer. Nesse momento você inverte a lógica, não faz o aluno correr atrás da escola, faz a escola correr atrás do aluno.

Kim Kataguiri: Esse modelo funciona no Chile, que tem a melhor educação da América Latina. Na Suécia, também, uma das melhores da Europa.

Vocês também defendem cobrança nas universidades públicas.

Kim Kataguiri: Para quem pode pagar. Para quem não pode pagar, continua de graça. A ideia é inverter a pirâmide do orçamento em Educação no Brasil. Hoje a gente investe no ensino superior quatro vezes o que a gente investe no ensino básico. Nenhum país se desenvolveu fazendo isso. E é evidente que nenhum país se desenvolveu fazendo isso, porque você não começa colocando o cara na universidade, primeiro tem que saber ler, escrever etc.
Hoje, 50% das crianças com até oito anos de idade não sabem interpretar um texto, ler uma frase, fazer uma conta de mais, de menos. E é aí que tem que estar o foco do investimento. E, ao mesmo tempo, a gente não pode criar mais impostos porque isso vai onerar demais a população. E também não pode drasticamente cortar gastos das universidades públicas, primeiro por uma questão política, os reitores teriam uma resistência muito grande, e segundo por uma questão prática mesmo.
Hoje já falta recurso, não por falta de dinheiro, mas por falta de gestão, mas, se você tirasse, além da gestão, o recurso, a situação ficaria mais feia ainda. A cobrança de mensalidade é uma maneira de inverter isso paulatinamente.
Hoje, quem pode pagar, que é em regra quem frequenta as universidades públicas, não o mais pobre, pagaria para que esse dinheiro fosse para o ensino básico. E aí, ao longo do tempo, a gente ficaria mais próximo de países como na OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), que têm mais ou menos um investimento 50% x 50%.

Arthur do Val: O que acontece hoje? O mais pobre paga não sei quantos por cento de ICMS na gasolina. O cara que está ali suando para conseguir comprar o combustível para fazer seu trabalho, enfim… E quem é que se beneficia do ICMS? O cara que estudou em escola particular a vida inteira, entra na universidade de BMW e estuda de graça. Esse cara tem que pagar mensalidade.

Kim Kataguiri: O sistema atual não só não ajuda como prejudica, perpetua a desigualdade social, porque o mais pobre, proporcionalmente, paga mais imposto, porque o imposto é no consumo, não é na renda nem no patrimônio. Então, ele tá pagando para que o cara mais rico estude na universidade e, ao mesmo tempo, ele ficar com a escola sucateada. Isso perpetua a desigualdade social.

Por falar em impostos, o que vocês defendem em relação ao Código Tributário?

Kim Kataguiri: Primeiro, a simplificação geral. Isso é uma coisa positiva que tem na reforma tributária que está sendo discutida hoje na Câmara dos Deputados, que cria o Imposto Sobre Valor Agregado, como acontece em países da Europa, no qual, basicamente, se juntam ISS, ICMS etc. num imposto só. O problema no Brasil não é só o tamanho do imposto, a quantidade de impostos que se paga. O problema é declarar esse imposto também.
As empresas têm que contratar setores inteiros só para declarar esse imposto, que, ao invés de estar produzindo, estão ali simplesmente trabalhando por uma burocracia inútil, que não deveria existir. Primeiro: se você simplificar esse sistema, já vai poder mandar um monte de gente embora, não vai mais precisar de um sistema hiperburocrático para sustentar aquilo; segundo: você vai aumentar a produtividade nas empresas, que vão ter um custo muito menor; vai baixar a inflação, porque com produtividade maior você tem custo menor do produto e isso chega para o consumidor final. Enfim, de um modo geral, sem nem baixar impostos você já consegue baixar os custos de todos os produtos e fazer com que o Brasil seja um ambiente mais favorável para negócios.
Agora, só com proposta liberal evidente é que a gente tem um corte de impostos drástico e isso só pode acontecer se a gente cortar custo. Cortar imposto sem cortar custo é suicídio. É aumentar o deficit, se endividar ainda mais, jogar ainda mais o Brasil nas mãos dos bancos nacionais.
Então, precisam ser feitos cortes fundamentais e, nesse sentido, nosso papel é muito mais de pressionar, porque isso depende muito mais de iniciativa do Executivo, de, primeiro, privatizar as empresas estatais, pelo menos as 180 maiores, que já teriam uma economia de R$ 550 milhões de imediato, já daria um superavit primário no primeiro ano de governo; e também fazer uma reforma previdenciária.
E uma reforma previdenciária não apenas em termos de ajuste fiscal, como foi proposto pelo governo Temer, mas uma reforma de fato. Como acontece hoje o sistema previdenciário? Sistema de pirâmide, quem está trabalhando hoje sustenta os que se aposentaram no passado. Isso é insustentável, evidentemente, por questões matemáticas. Meus avós tinham dez irmãos, eu tenho três irmãs e sou uma exceção, porque no Brasil a maioria tem um [filho] e olhe lá.
O sistema que a gente defende é que todo mundo tenha o mesmo regime previdenciário, desde o militar até o servidor público, advogado, pedreiro, juiz, político, promotor, e que esse regime previdenciário misture o pacto geracional que a gente tem hoje, só que com teto, para que o servidor público não indiretamente transfira a renda do mais pobre para ele.
E um sistema de capitalização para que o próprio trabalhador escolha quem vai administrar o seu dinheiro, porque hoje, por exemplo, com o FGTS, que é um dinheiro tirado coercitivamente do trabalhador, ele não escolhe quem administra e no final rende menos que a inflação, então ele é roubado todos os anos. Nisso você transformaria o FGTS e o PIS num fundo de capitalização de seguro-desemprego e aposentadoria que o próprio trabalhador escolheria quem administraria esse dinheiro, claro que com uma regulamentação para que o risco fosse limitado e que, dependendo de onde ele colocasse, não chegasse sem nada no final da sua vida.
Então, um sistema que, de fato, fizesse com que a gente não precisasse nunca mais de reforma previdenciária.

Como candidatos do DEM, defendem qual candidatura à presidência?
Kim Kataguiri e Arthur Moledo: Flávio Rocha, do PRB.

Kim Kataguiri: Ele defende privatização, revisão do pacto federativo, reforma previdenciária, reforma na segurança pública etc. É um candidato que tem chance de vencer, por estar em um partido expressivo, e com chance de coligar com outros partidos.

E o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ, que também cogita ser candidato)?
Kim Kataguiri: Nossa entrada no DEM foi condicionada à liberdade completa tanto na defesa de propostas quanto de candidato à presidência da República.

E quem defendem para o governo do estado?
Arthur do Val: Tenho total liberdade de falar que vou votar no menos pior. E no cenário que aparece aí, hoje, é o Doria. Quais são os três grandes nomes para o governo? Doria, [Paulo] Skaf (MDB) e Márcio França (PSB). É por eliminação: Márcio Franca é esquerda, Skaf corporativista e o Doria o menos pior. Simples desse jeito.

Kim Kataguiri: [Sobre Skaf] existe uma diferença fundamental entre aquele empresário que está lutando por competitividade e aquele que faz lobby para que o seu setor seja protegido pelo governo. O Skaf é do segundo setor, que é exatamente o oposto do que a gente defende. Durante todos esses anos da Fiesp, ele nunca defendeu um aumento de competitividade na indústria. Ele não defende a indústria, ele defende a Fiesp.

Como avaliam os governos do PSDB no estado?
Arthur do Val: O governo do Geraldo Alckmin foi um governo fácil, vamos dizer assim. Ele nunca enfrentou oposição, pegou o estado mais rico da nação e fez um governo que é bem ao estilo dele: ‘Picolé de Chuchu’. Não fez grandes cagadas, mas não fez grandes movimentos.

Kim Kataguiri: Ele bateu recorde de quilômetros de metrô por ano: 1 (risos).

Arthur do Val: Não só isso. Não saberia te dizer grandes elogios ao Geraldo Alckmin e tenho algumas críticas. Por exemplo, ele entregou algumas obras agora, antes de passar o governo para o Márcio França, inacabadas, só para falar que entregou.
Outra coisa: negociou com o Guilherme Boulos algumas moradias populares, algo que eu jamais faria. Jamais negociaria com um bandido, criminoso, que é o Guilherme Boulos. Acho que ele deu força para um movimento de bandido. São terroristas, não deveriam ter nenhum tipo de negócio.
A terceira coisa foi no final de 2015, quando houve aquelas invasões em escolas, em que ele foi mole. Não falou: ‘isso aqui não pode e nós vamos tirar, nem que seja a força’. Então, tenho essas três grandes críticas.

Kim Kataguiri: A reorganização [das escolas] não era ruim, mas ele recuou por medo de ficar impopular por causa das invasões. Isso mostra falta de espírito público. Está mais preocupado com o voto do que em, de fato, fazer um bom governo.

Vocês criticaram o movimento do Guilherme Boulos. O que pensam sobre política habitacional?

Arthur do Val: Política habitacional sinceramente é a área que eu menos entendo. Não sei, sinceramente, qual a solução. Teríamos que estudar vários projetos. Agora, posso te dizer que, com certeza, o desrespeito à sociedade privada não é uma solução. E é isso que o Guilherme Boulos faz. Ele é um bandido, um criminoso, um terrorista. Ele usa pessoas pobres, que realmente passam necessidade, não têm noção do que estão fazendo, infelizmente, de escudo, de força, para ter capital político. Ele não está preocupado com ninguém além de seu próprio umbigo.

Kim Kataguiri: Isso é [o ex-presidente dos Estados Unidos Ronald] Reagan (1911-2004): o melhor programa social é o emprego. A partir do momento em que você tem uma economia pujante, e isso você consegue com uma reforma previdenciária por exemplo, se fosse aprovada no ano passado, esse ano a gente teria a perspectiva de crescimento de 4,5%, o que facilitaria muito todos os outros setores, segurança pública, saúde, educação, habitação.
A partir do momento em que se tem emprego, o indivíduo tem poder de administrar as escolhas que achar melhor e isso inclui a política habitacional. Agora, especificamente para a política habitacional, não tenho nenhuma política exclusiva.

Qual a avaliação de vocês sobre o governo Temer?

Kim Kataguiri: Economicamente a reforma Trabalhista, a PEC do Teto dos Gastos, o leilão do pré-sal e a abertura do mercado dos aeronautas foram positivas. Agora, em termos de ética, o cara mais honesto do governo Temer venderia a mãe. Nós temos um problema muito grave, não só no governo, mas no Congresso Nacional, nas Assembleias Legislativas e nas Câmaras Municipais. Evidentemente que a gente nunca vai conseguir acabar com todos os políticos corruptos, mas esse ano, devido ao interesse mais alto em política, aos criminosos estarem nas capas dos jornais, a gente tem a oportunidade de mudar as figuras, tanto no Palácio do Planalto como no Congresso.

Como analisam a conjuntura para as eleições presidenciais?

Arthur do Val: O Lula preso, é risível que ainda se considere que vai ser candidato. E mesmo que fosse, não ganharia de jeito nenhum. Lula é uma carta fora do baralho, é um morto, acabou.

Kim Kataguiri: Ele não ganharia de jeito nenhum, tem 65% de rejeição. Aliás, acho que a única chance de o [Jair] Bolsonaro (PSL) vencer a eleição seria ir para o segundo turno com o Lula.

Arthur do Val: Acontece que a gente discorda e apostou R$ 500. Eu aposto que o Bolsonaro vai para o segundo turno e perde e ele [Kataguiri] acha que nem para o segundo turno ele vai. A gente tem a mesma tese, de que Bolsonaro está no teto, recordista em mídia espontânea, a internet é dele, só que isso não é o suficiente para se ganhar uma eleição majoritária.

E o que vocês pensam sobre Bolsonaro?

Arthur do Val: Gosto de separar muito a pessoa Bolsonaro do profissional Bolsonaro. Todo mundo fala ‘ah, é o Trump brasileiro’. O [presidente dos EUA, Donald] Trump, para mim, é um babaca enquanto pessoa, deve ser um cara extremamente nojento. Vejo as coisas que ele fala, que faz, acho ele um nojento, mas ele é um excelente profissional, um excelente empresário e político, as medidas econômicas dele são maravilhosas, ele sabe fazer política.
No Bolsonaro, vejo o contrário. É um cara super gente boa. É o ‘tiozão do churrasco’. Não é homofóbico, deve ser um cara super gente boa… aquele cara que chega de Rider, faz a piada do pavê, é amigo de todo mundo. Só que acho ele um péssimo profissional. Por mais que concorde com ele em algumas pautas de segurança pública, com algumas partes do que ele se diz liberal na economia, eu discordo muito das políticas protecionistas dele e discordo muito da postura dele enquanto homem público.

E por que ele está tão bem nas pesquisas?

Arthur do Val: Em primeiro lugar pelo espírito das pessoas de ser contra a política. Quem que hoje representa um cara que fala o que pensa? O Bolsonaro. E as pessoas esquecem que ele já está lá há mais de 20 anos. Então, você vai votar num cara do sistema só porque ele fala contra o sistema… É uma incoerência.
Em segundo ponto, ele parece ser muito maior do que realmente é. Enquanto a gente vê uma militância barulhenta, que fala muito dele, uma figura etc., ele é um cara que não ganha eleição majoritária. A maioria das pessoas vê o Bolsonaro com ceticismo suficiente para não votar nele no primeiro turno.

E se ele ganhar a eleição?

Arthur do Val: A gente não pode prever o que vai fazer do Brasil, a gente pode prever a nossa atitude. A gente não vai apoiar ou ser oposição a uma pessoa. A gente vai apoiar ou ser oposição a uma ideia. Por exemplo, a gente tem um pacote anticrime, com dez projetos de mudanças. Se ele apoiar, estamos juntos, vamos apoiar. Agora, a partir do momento que ele fizer algo que a gente discorda, como, por exemplo, não privatizar a Petrobras, vamos ser contra e vamos fazer barulho contra.

Vocês são liberais na economia. E com relação a costumes, políticas LGBT, a questão do aborto…

Kim Kataguiri: Depende do que você chama de políticas LGBT. Em termos de política pública, o que isso significa? A meu ver, a questão do casamento gay não deve ser discutida no Congresso Nacional porque já está pacífica no Supremo. Pode e ponto, acabou.

Arthur do Val: Aborto não é pauta liberal. Existem muitos liberais que são contra e muitos que são a favor. Não se pode dizer que ser contra o aborto é ser conservador nos costumes. Isso é da concepção de cada um, de onde começa a vida etc.
Com relação a políticas LGBT, nós somos contra qualquer tipo de privilégio.
E quando eu falo de privilégio, eu digo tudo. Cotas para universidade, emprego, leis especiais. Por exemplo, se estou na rua, pego uma lâmpada fluorescente, quebro na sua cara, eu tenho que ser punido. Agora, se eu quero na cara de um homossexual… eu não devo ser mais punido, devo ser punido. Ponto. Exatamente igual. Sou contra leis específicas que segreguem as pessoas de acordo com sua cor de pele, opção sexual, classe social. Não existe isso. Você cometeu uma agressão, você cometeu um crime, deve ser punido igualmente como se tivesse feito essa agressão para outra pessoa completamente diferente.

Kim Kataguiri: A partir do momento em que você abre a porta do Código Penal para diferenciação de determinada classe, raça ou cor, vai começar a guerra de corporações. Cada um vai querer puxar para o seu lado e isso é péssimo para o país.

É a primeira vez que vocês vêm a Osasco? Vocês têm um olhar para cá? Qual a relação de vocês com a região?

Arthur do Val: Meu tio mora aqui, tem empresa aqui. Já vim várias vezes para cá fazer trilha de moto. Muitas trilhas saíam daqui, faz tempo já. Depois de um tempo começaram a fechar as trilhas e acabei não voltando mais para fazer esportes. Mas meu tio mora aqui e eu costumo frequentar, não o Centro de Osasco, mas a região, bastante.

Kim Kataguiri: Uma coisa para ressaltar é que independente da região em que a gente esteja, como a gente se propõe a fazer uma política mais ideológica do que de curral eleitoral, não existe nenhuma visão em termos de ‘olha, vamos fazer esse projeto de lei para beneficiar Osasco’. A gente acredita que os projetos que a gente faz têm que estar pensando, no caso dele, no estado inteiro e´, no meu caso, no país inteiro. A partir do momento em que a gente privilegia algum grupo de pressão, a gente vai estar fazendo aquilo que a gente critica.
Mas, de qualquer maneira, é importante a gente conhecer todo o estado e os principais problemas de todo o estado, para dar soluções gerais.

Vocês são um fenômeno da internet, assim como líderes da esquerda e o próprio Bolsonaro também são. A internet não traz um risco de uma “memerização” da sociedade, já que quem consegue falar melhor com as pessoas têm mais alcance, o que nem sempre significa conteúdo?

Kim Kataguiri: Isso sempre aconteceu, só foi catalisado. Tem um livro do Mário Vargas Llosa maravilhoso, A Civilização do Espetáculo, que fala exatamente sobre isso.

A internet vai influenciar a eleição?

Kim Kataguiri: Vai, evidente. Comparando com TV e rádio acredito que está 70% [de influência] TV e rádio e 30% internet.

Arthur do Val: Agora, sobre isso que você falou [sobre o risco de ‘memerização’ da sociedade]. Tem um exemplo, o Kajuru. É um cara que fala e tal, só que você vai ver… é um cara vazio. É um sofista, só faz polêmica. Quando você é um cara assim na internet, você dá aquela ‘explodida’ só que o seu teto é baixo. O [Alexandre] Frota é um meme ambulante. Todo mundo ‘que legal, vou tirar uma foto com o Frota’… mas você leva à sério? ‘não’. O próprio Bolsonaro é isso, tem um teto. As pessoas falam: ‘legal, é um tiozão que fala o que pensa, nos representa’. Só que você confiaria nele para dar a presidência da sua empresa? ‘Aí também não’. Então como você põe o cara para ser presidente do seu país? ‘Ah, é verdade…’.

Kim Kataguiri: A internet é uma grande arma de destruição. Só que a partir do momento em que você consegue destruir, você precisa oferecer uma alternativa. Se não, e aí? Você destruiu, criticou, e aí?

Arthur do Val: Nós apoiamos a Lava Jato. ‘Tá, mas e qual é sua proposta?’ Se você não tiver algo palpável, ‘olha, minha proposta é essa’, ‘eu defendo isso aqui’… A pessoa começa a falar ‘legal, na hora em que eu precisar de um ufanismo eu te chamo’.

Você vira só um agitador…
Arthur do Val: Exatamente.

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