Há 10 anos, Carrefour declarou que racismo em Osasco serviria de “aprendizado”

1
racismo carrefour
João Alberto Silveira de Freitas, um homem negro de 40 anos, foi espancado até a morte por seguranças do Carrefour em Porto Alegre nesta quinta-feira (19)

O assassinato de João Alberto Silveira de Freitas, um homem negro de 40 anos, espancado até a morte por seguranças do Carrefour em Porto Alegre gera uma onda de protestos em todo o país. E não é a primeira vez que a rede de hipermercados é foco de acusações de racismo. Em Osasco e outras cidades, o Carrefour já protagonizou escândalos semelhantes.

publicidade

Em 2009, o técnico em eletrônica Januário Santana foi vítima de racismo e espancado e humilhado por seguranças do hipermercado em Osasco. O vigilante da loja o acusou de ter roubado o próprio carro, uma Ecosport, por não acreditarem que o veículo pertencia a ele.

Em 2010, o Carrefour indenizou Januário pelo ocorrido (o valor não foi divulgado). A rede afirmou, na época, que o episódio ajudou a “transformar mal-entendidos e falhas em oportunidade de aprendizado e de aprimoramento. Um movimento não apenas para evitar que incidentes como esse se repitam, mas para promover transformações que permitam, de fato, avançar na consolidação dos princípios fundamentais da empresa, migrando do campo das intenções para a esfera da realidade concreta”.

publicidade

No entanto, “incidentes” como o racismo sofrido pelo osasquense Januário continuaram se repetindo em unidades do Carrefour.

Em 2018, Luís Carlos Gomes, foi agredido por seguranças do Carrefour em São Bernardo do Campo. Ele foi surpreendido pelos vigilantes após abrir uma cerveja dentro da loja. As agressões continuaram mesmo após ele garantir que pagaria pelo produto. Gomes, que é deficiente físico, teve múltiplas fraturas. Ele acusou o supermercado de racismo e discriminação e pediu uma indenização de R$ 200 mil.

publicidade

Este ano, uma funcionária do Atacadão, do Grupo Carrefour, foi demitida após denunciar um episódio de racismo do qual foi vítima, no Rio de Janeiro. Nataly Ventura da Silva, de 31 anos, convivia com a discriminação de um colega de trabalho, que escreveu “só para branco usar”, em seu avental. Ela foi desligada da empresa após denunciar a situação, sob a justificativa de ter “se envolvido em situações de conflito com outros funcionários”.

Porto Alegre

Nesta quinta-feira (19), dois seguranças brancos do Carrefour, incluindo um PM, foram presos por agredir e matar João Alberto Silveira Freitas, um homem negro de 40 anos. O espancamento teria começado após um desentendimento entre a vítima e uma funcionária do hipermercado, em Porto Alegre.

João Alberto Silveira de Freitas foi espancado até a morte no Carrefour em Porto Alegre

“A esposa [da vítima] referiu que eles estavam no mercado fazendo compras, que o marido fez um gesto, que ela não soube especificar, para a fiscal. E ele teria sido conduzido para fora do mercado”, afirmou a delegada Roberta Bertoldo, segundo o “G1”.

Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) tentou reanimar o homem depois que ele foi espancado, mas ele morreu no local. Ainda não se sabe qual foi a causa da morte, mas uma análise preliminar da perícia indica que pode ter sido asfixia.

Em nota, o Carrefour declara:

“O Carrefour informa que adotará as medidas cabíveis para responsabilizar os envolvidos neste ato criminoso. Também romperá o contrato com a empresa que responde pelos seguranças que cometeram a agressão. O funcionário que estava no comando da loja no momento do incidente será desligado. Em respeito à vítima, a loja será fechada. Entraremos em contato com a família do senhor João Alberto para dar o suporte necessário.

O Carrefour lamenta profundamente o caso. Ao tomar conhecimento deste inexplicável episódio, iniciamos uma rigorosa apuração interna e, imediatamente, tomamos as providências cabíveis para que os responsáveis sejam punidos legalmente. Para nós, nenhum tipo de violência e intolerância é admissível, e não aceitamos que situações como estas aconteçam. Estamos profundamente consternados com tudo que aconteceu e acompanharemos os desdobramentos do caso, oferecendo todo suporte para as autoridades locais”.

Comentários