Presidente do Tribunal de Justiça se irrita com pergunta sobre auxílio-moradia

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Indagado se considerava justo o valor do auxílio, o desembargador Pereira Calças respondeu: “Acho muito pouco”.

Em meio ao furacão envolvendo o pagamento de auxílio-moradia a juízes que possuem imóveis nas cidades onde trabalham, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) iniciou na manhã desta segunda-feira, 5, com uma cerimônia, o ano judiciário.

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E o evento que selou a posse do novo presidente do tribunal, Manoel Queiroz Pereira Calças, e do novo Conselho Superior da Magistratura, não escapou de questionamentos – por parte da imprensa – sobre o tema.

Ao ser questionado se concorda com o auxílio-moradia pago mesmo a magistrados que possuem casa própria na cidade onde trabalham, Pereira Calças, em tom de irritação, respondeu que sim porque o auxílio-moradia é previsto na lei orgânica da magistratura. “Eu recebo e tenho vários imóveis”, declarou.

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Calças também condenou a forma como casos têm sido expostos pela imprensa. Indagado por uma repórter se considerava justo o valor do auxílio, fixado em R$ R$ 4,3 mil por mês, o desembargador respondeu: “Acho muito pouco. Agora você vai e coloca isso. Não vou atender provocação”, disse, encerrando a entrevista.

Presente ao evento, o tesoureiro da Associação Paulista dos Técnicos Judiciários (Apatej) Marcos Leite Penteado, o Marquinhos, disse que a atitude do novo presidente do Tribunal e Justiça está em descompasso com o cargo. Para o sindicalista, a imprensa em momento algum faltou com o respeito a Calças. “A exposição quase diária a que está sendo submetido o judiciário brasileiro é boa para o país, é isso os está incomodando”, explicou.

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Ainda segundo Marquinhos, o judiciário nunca foi tão exposto como está sendo.

O pagamento de pagamento de auxílio-moradia de R$ 4,3 mil à magistratura – mesmo àqueles que possuem imóveis – ganhou repercussão nacional após vir a público a informação de que juízes do Rio de Janeiro, entre eles Marcelo Bretas – um dos responsáveis pelo julgamento da Operação lava Jato no Estado – estão solicitando à Justiça o benefício mesmo tendo cônjuges que já o recebem.

Para André Soares, também diretor da Apatej, a questão é inoportuna por conta do momento político e econômico que vive o país. “Tem servidor pelo Brasil que está sem receber salário”, finalizou.

 

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