Profissionais de saúde denunciam falta de equipamentos de proteção em Barueri

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Foto: divulgação

Profissionais da saúde que trabalham no Hospital Municipal de Barueri (HMB) e outras unidades de saúde da cidade, como os Pronto Socorros do Engenho Novo e do Parque dos Camargos sofrem com a falta de equipamentos de proteção individual (EPIs), como máscaras e aventais, em meio à pandemia do novo coronavírus (covid-19), denuncia o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Saúde de Osasco e Região (Sueessor).

“Diversos trabalhadores ligaram dizendo que não tinha EPIs, viemos aqui fiscalizar e realmente não tem EPI. Não tem álcool gel, não tem avental permeável. Quer dizer: trabalhadores trabalhando com pessoas que já [testatam] positivo na covid-19 sem avental, só com roupa privativa”, afirma Amilton Moura Rodrigues, primeiro secretário do Sueessor, em vídeo feito na madrugada desta quinta-feira (2), em frente ao Hospital Municipal de Barueri, e postado nas redes sociais. “A gente pede às autoridades que tomem providências o mais rápido possível”.

Representantes do sindicato também já denunciaram a falta de EPIs aos profissionais da saúde em meio à pandemia do novo coronavírus em outras unidades de saúde de Barueri. A entidade diz que tem enviado notificações extrajudiciais e vai entrar com ação judicial pedindo que o problema seja resolvido. “Estamos agindo extrajudicialmente e vamos agir, a partir de hoje (2), judicialmente”, afirmou o advogado do Sueessor, Flávio Bezerra.

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Denúncias recebidas pela Associação Médica Brasileira (AMB) apontam para a falta de equipamentos de proteção como máscaras, gorro, luvas e álcool em gel em diversas unidades de Saúde do município e inclusive algumas da iniciativa privada. Confira a relação no site da AMB.

ATUALIZAÇÃO (02/04, às 19h30)

“Não procede”, diz Prefeitura

A Prefeitura de Barueri diz que denúncia de falta de equipamentos a profissionais da Saúde “não procede”. “O Hospital Municipal de Barueri Dr. Francisco Moran (HMB) esclarece que não procede a informação de falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s) na unidade. O HMB está seguindo rigorosamente todas as diretrizes do Ministério da Saúde para oferta dos EPI’s aos profissionais que prestam assistência aos pacientes suspeitos ou confirmados de covid-19″, afirma a administração municipal.

17 mortes relacionadas ao coronavírus em Barueri

Barueri é a cidade da região mais afetada pelo novo coronavírus até o momento, com 17 mortes relacionadas à covid-19 até esta quarta-feira (1º), das quais uma já tem confirmação e 16 aguardam resultado da contraprova feita pelo Instituto Adolfo Lutz, que tem enfrentado dificuldades para dar conta da demanda crescente de exames.

Ainda de acordo com dados da Prefeitura, a cidade tem 28 pacientes internados com suspeita da doença no HMB, 16 na UTI, 474 casos suspeitos notificados, dos quais 9 confirmados.

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Reprodução

Covid-19: Estado de SP tem maior número de queixas de falta de equipamentos

Agência Brasil

O estado de São Paulo concentra o maior número de denúncias recebidas pela Associação Médica Brasileira (AMB) sobre a falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para os profissionais da saúde que estão na linha de frente contra o novo coronavírus.

São 900 denúncias no estado, em 109 municípios paulistas. Em todo o Brasil, a entidade recebeu 2.622 queixas, em 539 municípios. Só a capital paulista teve 276 reclamações.

O vice-presidente da AMB Diogo Leite Sampaio avalia que o uso dos equipamentos de proteção individual pelos profissionais de saúde é fundamental para o atendimento do paciente com suspeita ou caso confirmado de covid-19, já que eles podem se contaminar durante o atendimento nas unidades de saúde.

“A partir do momento em que ele se contaminar, pode transmitir para outros pacientes, então esse profissional de saúde que ficou contaminado acaba sendo um vetor de transmissão, pode transmitir para outros colegas dentro da própria unidade de saúde, para outras unidades de saúde em que ele trabalha e para a própria família”, disse Sampaio.

Ele acrescentou que, se o profissional for contaminando por pacientes que estejam com a covid-19, ele deverá ser isolado por no mínimo 14 dias e vai sair da linha de atendimento, neste momento em que a demanda cresceu. “Então, por conta disso, não existe a possibilidade que o médico não tenha um equipamento de proteção individual para poder tratar esses pacientes”.

Considerando os dados de todo o país, 87% das denúncias relatam falta de máscaras tipo N95 ou PFF2, que têm melhor vedação que as máscaras cirúrgicas; 72% relatam falta de óculos ou face shield, um protetor facial transparente; 66% de capote impermeável, um tipo de avental; 46% de gorros; 28% de álcool gel 70%; e 13% registram falta de luvas. Cada denúncia pode relatar a falta de mais de um material. Em 72,7% das denúncias, faltam ao menos três tipos de material, podendo chegar a sete tipos de equipamentos em falta.

Desde o dia 19 de março, a associação disponibilizou uma plataforma específica para recebimento de denúncias sobre a falta de EPIs para os profissionais da saúde, garantindo o anonimato do autor da reclamação para evitar represálias. A partir dos relatos recebidos, a AMB comunica os estabelecimentos apontados na denúncia, pede esclarecimentos e atualização das informações, além de notificar o Ministério da Saúde, o Conselho Regional de Medicina (CRM), as Secretarias de Saúde Municipal e Estadual, o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Ministério Público.

“A gente está mandando também para a unidade [de saúde] dizendo que aquela unidade recebeu a denúncia de que faltam esses equipamentos. O que a gente tem percebido é que muitas unidades começaram depois dessa denúncia a providenciar os equipamentos. Então acho que é um ponto positivo desse movimento”, avaliou Sampaio.

Os estabelecimentos que informarem a solução dos problemas serão retirados da lista divulgada no site da associação, que apresenta detalhes sobre os EPIs que faltam em cada local.

Afastamento de profissionais da saúde

Os sistemas de saúde público e particular do estado de São Paulo tiveram de afastar, desde fevereiro, mais de 600 profissionais devido à suspeita ou a confirmação da infecção pelo novo coronavírus nos funcionários.

Problema tem crescido no país

A falta de EPIs tem sido um problema por todo o país. Nesta quarta-feira (1º), o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou que há dificuldade para a compra de material fundamental para o trabalho dos profissionais de saúde.

Muitos desses equipamentos são vendidos pela China para o mundo todo e as fábricas não estão dando conta de tanta demanda.

“Nosso problema é que este vírus foi extremamente duro e derrubou, machucou, inutilizou, parou a produção dos equipamentos de proteção individual que hospitais utilizam no mundo todo. Há uma falta de EPI. A máscara que a gente usa, a luva, o gorro, não é só para o coronavírus, mas para todas urgências. Quando o sistema cai, cai para todo mundo. Ele não cai só para o corona, cai geral. Estou pedindo, reforcem”, disse Mandetta.

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