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“Cansei de me calar”: relato do terror vivido por mulher agredida pelo ex-marido viraliza

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Fotos: reprodução/Facebook

“Cansei de me calar. Estou aqui na UBS pra quem quiser ver. Meu ex-marido acaba de quebrar meu nariz porque eu arrumei um namorado. Detalhe: fez isso na frente dos filhos. Quer me matar Carlos Henrique, pode matar agora”.

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Esse foi o basta de Jackeline Mota, de 31 anos, moradora de Araçariguama, no interior paulista, às agressões do ex, Carlos Henrique Evangelista de Oliveira.

O pedido de socorro postado nesta segunda-feira (9), no perfil dela no Facebook junto a uma foto em que aparece com o nariz fraturado e sangrando teve quase 700 compartilhamentos e centenas de comentários até às 18h10 desta terça.

Com a repercussão da primeira postagem, ela fez outros posts em que dá mais detalhes da rotina de terror ao lado do ex. “Apanhei quieta por medo durante anos. Mas agora, se quiser me matar, que mate, pois cansei. Simplesmente cansei”.

“Durante 11 anos eu apanhei, fui humilhada, fui traída. E sempre ouvi que passava por isso pelo que fiz ou deixei de fazer quando era solteira, porque eu saí com todos os homens de Araçariguama, porque todos falavam mal de mim”, relatou.

Por que?

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“Agora eu pergunto: por que? Por que não se separou? Por que preferiu manter uma vida mentirosa durante anos? Por que fazer duas crianças presenciaram cenas horríveis, ouvirem coisas horríveis? Por que?”.

Jackeline recebeu milhares de mensagens de apoio. Entre elas da prefeita da cidade, Lili Aymar. “Força Jacke! Você é muito querida e batalhadora! Deus é contigo! Se precisar de mim para qualquer coisa estou aqui”, comentou a prefeita através de um de seus perfis na rede social.

Mas também vieram os questionamentos sobre a postura dela durante os anos em que foi agredida, aos quais ela respondeu: “Gente pelo amor de Deus, entendam. Ninguém escolhe passar por isso, ninguém se sujeita a isso. Antes de viver esse inferno, eu pensava igual a vocês que estão fazendo esses comentários infelizes. Mas aprendi que só podemos julgar ou falar sobre uma situação, depois que passamos pela mesma”.

“Diante das perseguições, eu acabava voltando” 

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“Vocês acham que eu gostava de apanhar? Vocês acham que eu era feliz sendo traída e ofendida com os piores nomes possíveis? E o pior, ver meus filhos presenciando tudo isto.Não eu não gostava, e não era feliz com isso. Por várias vezes tentei me separar, mas aí a perseguição era tanta, e não atingia só a mim, era meu trabalho, minha família, terceiros passando por situações constrangedoras, por um problema que era só meu. Então, diante das perseguições eu acabava voltando. Até que, depois de 11 anos, encontrei forças em Deus pra criar coragem e sair daquela situação”, contou.

“Vai fazer um ano que me separei e, graças a Deus, ele não me perseguia mais pra voltar. Mas usava os filhos pra me infernizar. Até que eu comecei a namorar recentemente e hoje, na hora que fui buscar meu filho, que estava com ele na casa dele, ele saiu na rua, abriu a porta do meu carro e me agrediu”, relatou Jackeline.

História de terror

“Se eu fosse relatar esses 11 anos , eu escreveria um livro, um livro com uma história de terror”, emendou ela, que mandou um recado às mulheres que vivem situação semelhante: “Não se calem, não tenham medo. Se o medo for da morte, entendam que vocês que vivem uma situação destas dentro de casa estão com a alma morta em um corpo que apenas existe, não vive”.

Jackeline registrou um boletim de ocorrência sobre a última agressão. O marido não foi localizado para comentar as acusações até a publicação desta matéria.

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