“Fiquei de cara”, diz Frota sobre supostas operações falsas do Delegado Da Cunha

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alexandre frota delegado da cunha
Reprodução

O deputado federal Alexandre Frota (PSDB-SP), morador de Cotia, disse que está “decepcionado” com as acusações de que o Delegado Da Cunha, que faz sucesso nas redes sociais com vídeos mostrando suas ações policiais, realizou operações e gravações falsas para viralizar na internet. “Fiquei de cara”, comentou o parlamentar.

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“Hoje ‘fiquei de cara’, soube que as operações e gravações eram montadas, fakes, que o bandido do PCC não existiu, fiquei decepcionado com esse cara. Eu até gostava dele. Cada uma que aparece”, comentou Frota sobre Da Cunha, nas redes sociais.

Segundo reportagem da “Folha de S. Paulo”, policiais envolvidos e um homem mostrado em vídeo como resgatado de um “tribunal do crime” pelo delegado youtuber admitiram que a gravação foi encenada para fazer Da Cunha ganhar seguidores na internet. A vítima, na verdade, já teria sido resgatada momentos antes, por outros policiais, mas teria sido instruída a voltar ao cativeiro para que fosse realizada uma simulação gravada na qual o delegado seria o responsável pelo salvamento e a prisão do criminoso.

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“Acreditando que realmente se tratava de prova policial, aceitou e foi deixado pelos policiais novamente dentro da casa com o traficante. […] Acha que isso foi uma falha dos policiais, pois foi deixado no mesmo local que uma pessoa perigosa e ele poderia ter pego uma faca para lhe ferir”, declarou a vítima, que teve o nome preservado, segundo trecho de depoimento em poder do Ministério Público.

“Depois soube que a gravação não era para o processo, mas, sim, para o canal do YouTube do delegado Da Cunha e isso lhe deixou extremamente indignado, especialmente porque o delegado mentiu sobre a gravação. […] Frisa que o que policial que realmente o libertou do cativeiro [nem] sequer participou daquela gravação”, acrescentou o homem, no início deste mês. Dois policiais civis admitiram a encenação.

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“Mentira que expõe a Polícia Civil e tumultua”

Agentes envolvidos na suposta ação encenada afirmaram ainda que o delegado só comparecia ao trabalho em dias de operações, com câmeras para gravá-las. Mesmo quando não participava diretamente, declararam, Da Cunha chegava ao local com uma equipe própria de filmagem. O delegado youtuber é alvo de investigações do Ministério Público (MP) por suspeitas de improbidade administrativa e enriquecimento ilícito.

Ele também é acusado de mentir sobre a prisão de um criminoso ligado ao PCC que ele afirmava ter plano de matar o delegado-geral Ruy Ferraz Fontes. “Se trata de uma mentira que expõe toda a instituição da Polícia Civil e tumultua os trabalhos da instituição policial”, declarou Ferraz Fontes em depoimento ao MP.

Da Cunha foi afastado do cargo pelo delegado-geral em julho. Além de críticas internas por supostas irregularidades em suas ações filmadas e divulgadas nas redes sociais, Da Cunha virou alvo de processo por afirmar, em um podcast, que há “ratos e ratazanas na administração pública de São Paulo”. O delegado-geral afirma que ele usou “linguagem inadequada e comentários depreciativos à imagem institucional”.

“Perseguição injusta”

Da Cunha já se disse vítima de perseguição. “Venho sofrendo uma perseguição totalmente injusta. Meu ‘crime’ foi divulgar o trabalho da Polícia Civil no YouTube”, afirmou o delegado, que tem mais de 3,3 milhões de inscritos em seu canal na plataforma de vídeos.

Ele se filiou ao MDB, fala em entrar para a política e cogita até a disputar as eleições para governador. “Coloca o nome do Delegado Da Cunha na pesquisa para governador do estado de São Paulo e vamos ver se a favela não vai vencer”, diz, em um de seus vídeos.

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