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Fundador das Casas Bahia mandava garotas de programa buscarem pagamento nas lojas, diz reportagem

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Samuel Klein, fundador das Casas Bahia, morreu em novembro de 2014 / Foto: Reprodução

Após Saul Klein, de 66 anos, filho do fundador das Casas Bahia, Samuel Klein, ser acusado de abusar de diversas mulheres em sua mansão em Alphaville desde 2008, o caso ganhou mais um capítulo. Uma reportagem do UOL revelou que a rede de lojas já foi condenada, ao menos seis vezes, a pagar indenização por danos morais aos funcionários, que eram procurados pelas jovens, apontadas como “garotas de programa”, para retirar pagamentos entre R$ 10 mil e R$ 150 mil dos caixas das lojas.

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As mulheres teriam tido a autorização de Samuel Klein e até furavam a fila de clientes para recolher os valores nas lojas. A Justiça considerou as situações como atentatórias à dignidade dos profissionais e, em todos os casos, as Casas Bahia foi condenada a indenizar funcionários entre R$ 10 mil e R$ 15 mil.

A reportagem aponta que as decisões judiciais teriam indicado semelhanças entre as ações do pai (que morreu em 2014) e do filho: jovens se relacionavam sexualmente com os empresários, em grupo, e retiravam pagamentos depois. No caso de Samuel, nas lojas da rede.

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Em um dos processos contra o fundador das Casas Bahia, aberto no Rio Grande do Sul, uma testemunha afirma que recebia ligações de Samuel Klein determinando o pagamento às mulheres. Nesse mesmo caso, outra testemunha diz que viu a prática ocorrer em todas as filiais nas quais já trabalhou.

Os outros casos similares foram registrados em diferentes cidades do país, denunciando as mesmas práticas. “Muitas vezes a filial não dava lucro, exatamente porque tais pagamentos eram realizados, o que trazia um maior constrangimento, porque a remuneração estava vinculada ao lucro da filial”, diz um trecho de um dos processos citados na reportagem.

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Entenda o caso

Segundo relatos de 14 supostas vítimas, reveladas em reportagem da Folha de S. Paulo, intermediários de Saul Klein aliciavam mulheres pelas redes sociais, as convidando para “testes” em um flat, nos quais elas teriam de usar roupa íntima ou biquíni. Se fossem aprovadas por Saul, seriam “contratadas” para festas na mansão em Alphaville, onde receberiam de R$ 1 mil a R$ 3 mil.

Ainda de acordo com as denúncias, estes eventos promovidos pelo milionário em seu imóvel no bairro nobre em Barueri reuniam de 15 a 30 mulheres, que tinham de ficar o tempo todo de biquíni e se submeter às vontades sexuais dele, “inclusive de modo humilhante e a contragosto”.

Saul Klein nega as acusações. Por meio de seu advogado, diz que é um “suggar daddy” (homens que têm fetiche em sustentar financeiramente mulheres em troca de afeto e sexo) e que é alvo de tentativa de extorsão.
O advogado de Saul Klein, André Boiani e Azevedo, afirmou à Folha de S. Paulo que: “O sr. Saul Klein vem sendo vítima de um grupo organizado que se uniu com o único objetivo de enriquecer ilicitamente às custas dele, através da realização de ameaças e da apresentação de acusações falsas em âmbito judicial, policial e midiático”.

Sobre as festas, o advogado do filho do fundador das Casas Bahia declarou que “as participantes estavam ali de livre e espontânea vontade —e, saliente-se, todas queriam voltar aos eventos, em demonstração de que estavam de acordo com o que ali acontecia”.

A Via Varejo, proprietária das Casas Bahia e do Ponto Frio, divulgou uma nota na qual esclarece que Saul Klein “nunca possuiu qualquer vínculo ou relacionamento com a companhia”.

 

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