Jovem enganado por namorada virtual de Osasco gera comoção e consegue primeiro emprego

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Divulgação / Brigada Militar

Em meio à comoção gerada pelo caso, o jovem de 18 anos que viajou mais de mil quilômetros, de Gravataí, no Rio Grande do Sul, na expectativa de viver com a namorada virtual em Osasco e acabou enganado e perdido em São Paulo, conseguiu até o primeiro emprego. A loucura de amor de Matheus Quadros viralizou na internet nesta sexta-feira (12).

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Após a desilusão amorosa e voltar pra casa, Matheus conseguiu seu primeiro emprego em um supermercado em Gravataí, com o auxílio do policial militar que o ajudou a escapar da cilada que viveu sozinho em São Paulo.

Do sonho de viver com a amada e obter o primeiro emprego ao pesadelo em São Paulo

O jovem mantinha um relacionamento pela internet há dois anos com uma garota dizia se chamar Luana e morar em Osasco. Ela teria incentivado Matheus e se mudar para Osasco e dizia que aqui o rapaz teria emprego garantido em um supermercado do pai dela.

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Apaixonado e com o sonho de uma nova vida junto a amada, o rapaz juntou as economias obtidas com bicos que fazia, comprou uma passagem de ônibus e viajou, sem dinheiro para voltar, rumo a Osasco. Ele conta que os dois mantinham contato apenas por texto, nunca se falaram por telefone ou chamada de vídeo.

No caminho, Matheus foi vendo seu sonho se tornar um pesadelo. Os contatos pela internet com a amada diminuíram. Chegando ao Terminal Rodoviário do Tietê, no domingo (7), não havia ninguém à espera de Matheus. Luana, além de não responder às mensagens, bloqueou o namorado virtual nas redes sociais. Não se sabe se ela desistiu de tornar real o amor virtual ou se o jovem seria vítima de algum golpe.

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Órfão de mãe, sem saber quem é o pai e em meio a uma verdadeira cilada em uma das maiores cidades do mundo com apenas R$ 15 no bolso, Matheus entrou em desespero. Sem saber a quem recorrer, entrou em contato e obteve ajuda do soldado Ávila, policial militar que lhe deu aulas através do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd) no Rio Grande do Sul.

“Te acalma que eu vou começar a organizar tua vinda”

Primeiro, o policial orientou o jovem a se acalmar e esperar, na esperança de que a namorada virtual de Matheus aparecesse. O jovem dormiu na rodoviária. No dia seguinte, nada da garota. “Na segunda de tarde, ele já estava desesperado, me ligou chorando: ‘bah, eu acho que caí num golpe. Ela me bloqueou, não fala mais comigo e tal’. Aí eu: não, te acalma que eu vou começar a organizar tua vinda, fica tranquilo”, relatou o soldado Diogo Rafael Ávila de Moura.

Até que na manhã de terça-feira, o soldado Ávila obteve o apoio de outros policiais locais e de São Paulo para ajudar Matheus a voltar à sua cidade natal. Eles fizeram uma vaquinha que arrecadou, em minutos, R$ 500 para a passagem e alimentação do jovem.

Matheus foi recebido na rodoviária de Porto Alegre, na noite de quarta-feira (10), pelo coordenador estadual do Proerd, tenente-coronel Cilon e pelo seu instrutor soldado Ávila. “Quando ele desceu do ônibus aqui ontem, a primeira frase que ele falou, ele me olhou chorando e falou: eu tinha certeza que o senhor não ia me deixar lá”, contou o policial.

Divulgação / Brigada Militar

O jovem recebeu presentes de policiais e foi conduzido de viatura até a residência de sua madrinha, onde vive, em Gravataí. “Teve momentos em que pensei que não conseguiria voltar. Quero deixar muita gratidão por tudo o que fizeram por mim”, declarou Matheus.

“Ele lembrou que sempre poderia pedir ajuda a um policial militar”

“Eu, como policial militar, como Proerdiano, que vou nas escolas, desenvolvo esse trabalho, esse projeto, é muito gratificante, porque mostra que eles entendem o objetivo, a ideia da nossa proposta. Numa das últimas aulas, eu falo da rede de ajuda, a quem eles podem pedir ajuda: pai, mãe, tios, primos, policial militar, bombeiro, policial civil”, destacou o soldado Ávila, ao “Extra”. “Então isso pra mim é muito gratificante, porque no momento em que ele mais sentiu perigo, mais sentiu medo, ele ligou pra mim. Ele lembrou lá da minha aula há anos do círculo de confiança, da rede de ajuda, que sempre poderia pedir ajuda a um policial militar”.

Se, além da paixão, o que motivou o jovem a partir nessa jornada rumo a Osasco foi a promessa do primeiro emprego um emprego em um supermercado, parte do problema foi resolvido. No trabalho que conseguiu com a ajuda do soldado Ávila, Matheus será operador de loja, com atribuições como repor os produtos e tirar dúvidas de clientes. O gerente do supermercado, Joelson Trindade, se sensibilizou com o caso, e resolveu dar a oportunidade ao garoto.

O jovem diz que tem recebido mensagens de outras garotas interessadas em conhecê-lo, mas o foco agora é outro. “Quero trabalhar e terminar meus estudos”, declarou, à “Folha de S. Paulo”.

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