Inundados, moradores são obrigados a abandonar suas casas e acusam obra em Carapicuíba

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Fotos: Reprodução/G1/Arquivo Pessoal

Os moradores da comunidade Porto de Areia, em Carapicuíba, enfrentam um drama há quase um mês. Eles viram suas casas sendo tomadas pela água, alguns tiveram de abandoná-las e acusam uma obra de aterramento da lagoa que fica próximo ao local pelos problemas.

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A Prefeitura diz que a obra é de responsabilidade do governo estadual, segundo reportagem do G1. Já o governo do estado alega que o aterramento é executado por uma empresa privada e que não tem relação com o alagamento na região.

A líder comunitária Cleide Faria dos Santos disse ao G1 que procurou a Prefeitura de Carapicuíba e os responsáveis pela obra, mas que nenhum dos dois tomou atitude para solucionar o problema. Enquanto isso, cerca de 1 mil famílias que vivem na comunidade podem sofrer com a situação. “Um perigo para crianças, idosos, os animais, tudo”, afirmou. “Estamos com medo que chova nos próximos dias e piore completamente”, continuou Cleide.

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A água suja invadiu as casas construídas de madeira / Foto: Reprodução/G1

Paulo Henrique Almeida de Araújo, de 26 anos, é um dos moradores afetados pela inundação. Desempregado, ele não sabe o que esperar dos próximos dias. “[A água] vem subindo de pouquinho em pouquinho, eu estou dormindo com o pé na água. Preciso achar um lugar para deixar minhas coisas, mas não tenho para onde ir. Enquanto der vou continuar dormindo aqui”, declarou ao G1.

Outro morador de Carapicuíba atingido pelo alagamento é Rio Roberto Fernandes, 44. Em 2020, quando uma enchente atingiu a região, ele perdeu todos os móveis e tem medo de perder o pouco que conseguiu recuperar desde então. “Aquele alagamento foi causado pela natureza. Agora estou com medo, a água está subindo, posso perder o pouco que me resta. Entreguei na mão de Deus”, disse.

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“Estamos cansados de viver na irregularidade”

De acordo com Cleide, os responsáveis pela obra se comprometeram a abrir uma vala para escoar a água, mas nada foi feito até o momento. Ela disse que os próprios moradores, que ganharam recentemente o processo de reintegração de posse da área, começaram a cavar valas para tentar amenizar a situação. “Estamos caminhando para a regularização latifundiária. Temos o direito de zelar pelo local que queremos regularizar, estamos cansados de viver na irregularidade”.

Os moradores alegam que, até o momento, nenhum agente da Prefeitura esteve no local para averiguar a situação. Eles dizem ainda que não tiveram assistência desde que a água começou a subir na comunidade.

Ao G1, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente afirma que o terreno é particular e que chegou a fazer uma vistoria com técnicos do Departamento de Água e Energia (DAEE) e com a Prefeitura de Carapicuíba. Ainda segundo a Secretaria, foi constatado que a obra não está relacionada aos alagamentos, que podem ter sido causados por lixo jogado no local e novas ocupações. O caso também chegou ao Ministério Público de São Paulo, que analisará a situação.

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