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Opinião: Neste ano, resistir também é votar com consciência

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igreja lgbtqia osasco
Foto: Pixabay

Por Mônica Veloso*

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No mês em que completamos 54 anos da Passeata dos Cem Mil contra a ditadura, o Brasil segue com uma série de violações aos direitos humanos. Existem diversas situações em que a liberdade e as lutas são silenciadas até mesmo por assassinato. A homofobia e o racismo são grandes exemplos disso.

O movimento LGBTQIA+, que retomou as ruas da capital paulista, tem denunciado a morte de centenas de travestis. Apesar de a transfobia ser crime no Brasil desde 2019, o país é ainda o que mais mata pessoas trans e travestis em todo o mundo pelo 13° ano consecutivo. Relatório de 2021 da Transgender Europe (TGEU), que monitora dados globalmente levantados por instituições trans e LGBTQIA+, mostra que 30% de todos os assassinatos registrados aconteceram no Brasil.

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Dados oficiais sobre a população negra no Brasil também indicam que esta é a parcela mais afetada pelos altos índices de violência da sociedade e a mais sujeita à violação de direitos. Além de terem menos acesso ao trabalho decente, à educação, a saúde, os negros são maioria nos presídios e entre as vítimas de homicídios.

Na esteira destas violações, as lutas no Brasil têm sido atacadas e silenciadas de todas as formas possíveis. Isso não pode ser normalizado. Recentemente, acompanhamos o desaparecimento, seguido de morte, do indigenista brasileiro Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips na Amazônia. Assim como tantas outras pessoas, eles foram mortos por defenderem o meio ambiente, os povos indígenas.

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O nosso grito de resistência precisa ecoar por todos os cantos do país. Precisamos cobrar que as leis já existentes sejam respeitadas, e que ações afirmativas de combate à violência às minorias sejam ampliadas. Todas, todos e todxs têm direito de existir, de viver e de ter seus direitos respeitados.

Há 54 anos, a Passeata dos Cem Mil, maior manifestação de rua desde 1964, foi um marco de reação da sociedade contra a ditadura, a violência e a repressão às liberdades. Devemos nos inspirar neste movimento, na luta de tantos outros que nos antecederam, e exigir nas urnas, de forma democrática, o respeito à vida e à nossa luta por justiça social.

Neste ano, resistir também é votar com consciência.

*Mônica Veloso, vice-presidente (licenciada) do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região

 

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