Após perder tudo em golpe de falsos corretores, família abrigada em Osasco pede ajuda

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Fotos: Arquivo Pessoal

Uma família que morava em Iperó, no interior paulista, está abrigada na casa de um conhecido, em Osasco, após perder casa, carro, emprego e tudo o que tinha para realizar o sonho de comprar uma casa para morar no litoral. Eles foram enganados por falsos corretores, mas só descobriram ao chegar na nova residência com o caminhão de mudanças.

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Rilavia Soares, de 53 anos, seu marido, o comerciante Enivaldo Braz, de 50, e uma filha do casal, de 24, sonhavam em comprar uma casa no litoral paulista com espaço para montar um comércio local e reservar quartos para que turistas pudessem alugar. Para isso, começaram a pesquisar anúncios de imóveis à venda pela internet e quatro casas chamaram a atenção da família. Uma delas fica em Itanhaém, no bairro Cibratel, que era anunciada por R$ 90 mil.

A negociação entre o casal e a suposta corretora começou via WhatsApp. Rilavia relatou ao G1 que a negociação teve andamento e a corretora, sempre prestativa e simpática, insistiu várias vezes para que a família visitasse o móvel, que passou a ser negociado por R$ 75 mil. Segundo a vítima, a queda no valor da casa foi justificada pela corretora com a história de que o dono da casa estaria enfrentando uma crise financeira e tinha pressa em vendê-la.

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Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução

Rilavia e Enivaldo fizeram uma viagem de 200 km para conhecer a casa em julho deste ano. As vítimas relatam que a corretora, acompanhada de seu suposto chefe, abriu os portões com chave, mas a porta parecia ter sido arrombada. “Questionei e ele disse que o proprietário alugava o espaço para festas e, em uma delas, um grupo de jovem acabou quebrando a estrutura”, contou.

A corretora apresentou a casa com detalhes e por fim, aceitou a proposta de negociá-la por R$ 55 mil, com a condição de que o pagamento fosse realizado à vista, via transferência bancária para o proprietário. Para fechar o negócio, os corretores insistiram que o casal registrasse os documentos da compra em um cartório que fica na Lapa, bairro onde o proprietário da casa morava.

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O casal registrou os documentos e seguiram para a parte da transferência do valor. No entanto, o dono da casa teria dito que estava devendo para o banco e pediu para que o valor fosse transferido para a conta de uma sobrinha. Com isso, o casal resistiu por um tempo, mas acabou realizando a transação.

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A família sonhava em construir um comércio no espaço / Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução

Dias após o pagamento, o casal precisou de um comprovante de residência do imóvel que havia acabado de comprar e ligou para a corretora. “Foi quando outra mulher atendeu. Ela disse que a corretora estava no hospital com a filha e que me retornaria assim que pudesse, mas em seguida fomos bloqueados por ela”, relatou a vítima ao G1.

Ao tentar entrar em contato com o suposto chefe da corretora, a família também teve a mesma resposta. Ele disse que não poderia atender no momento e que retornaria depois, mas bloqueou o telefone do casal.

Surpreendidos em plena mudança para a “casa nova”

O casal e a filha venderam a casa em que moravam, no interior, móveis e até o veículo da família. Chegaram em Cibratel, com o caminhão de mudanças e a chave em mãos, mas o que parecia ser a realização de um sonho, se tornou um grande pesadelo para a família.

As chaves não abriram os portões da nova residência. “Achamos que tinham trocado por causa da mudança”, contou Rilavia, que chamou um chaveiro para conseguir entrar. A família foi surpreendida pela Polícia Militar quando estavam descarregando os últimos móveis no local. Foram chamados para atender uma ocorrência de invasão de propriedade.

“Me pergunto como é que aqueles dois tinham a chave da casa”, desabafa a mulher, emocionada. “O dono da casa me deu o prazo de algumas horas pra ir embora da casa. Não tínhamos pra onde ir”, lamentou a vítima ao G1.

A família foi encaminhada ao 2° DP de Itanhaém, onde descobriram que o imóvel estava à venda, mas por R$ 160 mil. Um boletim de ocorrência foi registrado como estelionato, mas a família foi obrigada a deixar o imóvel. Após três dias sem ter para onde ir, a família conseguiu um abrigo na casa de um conhecido, em Osasco, onde já estão há dois meses.

À Polícia Civil, foram entregues vídeos, documentos, conversas e dados da conta bancária para qual o dinheiro foi transferido para que a polícia possa investigar e chegar aos criminosos.

Vaquinha online

A família perdeu tudo. A expectativa de deixar o interior e viver no litoral fez com que Enivaldo, o único que estava trabalhando antes da mudança, deixasse também o emprego que tinha. Abrigados há dois meses na casa de um conhecido, eles decidiram fazer uma vaquinha online para receber doações e tentar reconstruir a vida.

“Tivemos a ideia de montar essa vaquinha para que as pessoas possam nos ajudar, pois graças a Deus, da mesma forma que no mundo existem muitas pessoas ruins, iguais aquelas que nos deram o golpe, existem também pessoas muito boas que estão dispostas a nos ajudar”, diz a família.

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