“Foi um ataque calculado para prejudicar a imagem dos alunos”

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As imagens da escola estadual Coronel Antônio Paiva de Sampaio, em Quitaúna, Osasco, depredada após a desocupação de um movimento que durou cerca de 15 dias contra a “reorganização” do ensino pelo governo de Geraldo Alckmin (PSDB) chamaram a atenção durante a semana.
Um advogado que estava na escola durante um dos ataques e a desocupação por parte da PM garante: “Não foram os alunos que fizeram isso, com toda certeza. Foi algo calculado, para marcar. Um ataque orquestrado por alguém para prejudicar a imagem dos alunos”. A afirmação é de Flávio de Oliveira Bezerra, que faz parte de um grupo de advogados que atuam voluntariamente em busca de garantir os direitos dos estudantes.

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De acordo com ele, na segunda-feira, 30, enquanto os alunos estavam concentrados no pátio, um grupo de não alunos entrou em uma área da escola e cometeu atos de vandalismo.
Após a ação, a polícia chegou com o intuito de desocupar a escola. Mesmo assustados, os estudantes decidiram manter a ocupação, relata Bezerra. Depois, mesmo com a presença da polícia, veio um segundo ataque à escola, conta o advogado. Em meio às negociações entre alunos e policiais, surgiu um incêndio na biblioteca. “Um dos estudantes chegou a desmaiar tentando apagar o fogo”.
O advogado avalia que quem danificou a escola “acreditava muito na impunidade, já que o incêndio começou com a polícia bem perto”. A Secretaria de Estado da Educação afirma que “a polícia investiga a autoria do ato”.
Atualmente duas escolas permanecem ocupadas em Osasco: Heloisa de Assumpção e Francisca Lisboa Peralta.

Secretaria estadual da Educação diz que prejuízo é de R$ 250 mil

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A Secretaria de Estado da Educação diz que o prejuízo com os materiais danificados em atos de vandalismo na escola estadual Coronel Antônio Paiva de Sampaio, em Quitaúna, Osasco, até o momento chegam a R$ 250 mil.
O telhado da escola foi destruído, todas as portas arrombadas, dezenas de vidros e lâmpadas quebrados, impressoras e microondas foram danificados. Salas de aula foram depredadas e os documentos da secretaria escolar foram rasgados e espalhados. De acordo com a pasta, também houve furtos. Televisores, utensílios de cozinha, tablets e até parte dos produtos da merenda escolar foram levados da escola.

Governo Alckmin falou em “guerra” 

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“Temos que ganhar a guerra final. E vamos ganhar”. A frase é do chefe de gabinete da Secretaria de Estado da Educação, Fernando Padula, em reunião no domingo, 29, com diretores de ensino, sobre as mais de 190 escolas estaduais ocupadas contra o plano de “reorganização” do ensino pelo governo Alckmin. No encontro, ele falou sobre a necessidade de adotar “tática de guerrilha” para acabar com o movimento.
Sobre os atos de vandalismo na escola osasquense, Padula afirmou: “Certamente isso aqui não é coisa de aluno, isso aqui é coisa de movimentos políticos e que visam fazer isso aqui a destruição do patrimônio público”.

MP e Defensoria tentam barrar “reorganização”

A Defensoria Pública e o Ministério Público do Estado de São Paulo ajuizaram, nesta quinta-feira, 3, uma ação civil pública para tentar barrar na Justiça o plano de “reorganização” escolar apresentado pelo governo de Geraldo Alckmin (PSDB), que deve levar ao fechamento de mais de 90 escolas.
A ação pede que a reorganização seja interrompida e que, em 2016, a secretaria da Educação promova uma agenda de discussões com a sociedade sobre as mudanças.
No domingo, 29, numa reunião da secretaria, a mobilização dos alunos foi tratada como questão de guerra. Na segunda, houve um acirramento da repressão policial. Agora, não houve outra alternativa que não levar ao juízo essa questão para que seja retomada a discussão”, disse o promotor João Paulo Faustini, do Ministério Público.

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