Tifanny, jogadora trans na mira de Osasco, estrela campanha da Adidas e é alvo de ataques transfóbicos

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Tiffany vôlei feminino
Divulgação / Vôlei Bauru

Tifanny Abreu, a primeira mulher trans do vôlei brasileiro, que estaria na mira do Vôlei de Osasco, estrelou uma campanha publicitária da Adidas e voltou a virar alvo de ataques transfóbicos nas redes sociais. Clientes chegaram a pregar boicote à marca.

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Na campanha, a Adidas destacou a trajetória de superação da atleta para se tornar a primeira trans no vôlei nacional. “Nada é impossível para Tifanny Abreu. Mulher trans. Atleta profissional. Correu atrás, lutou, fez história. E é uma inspiração para sermos quem quisermos ser”.

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A postagem da marca recebeu diversos comentários transfóbicos, alguns  pregando boicote aos produtos da empresa. “Vocês acabam de me inspirar para ser o que eu quiser ser. A partir de hoje quero ser consumidor da Nike”, foi um dos comentários. “Cortei qualquer possibilidade de comprar Adidas de novo algum dia. Adeus”, comentou outro internauta no Twitter.

“Vou jogar meu Adidas fora!”, foi mais um comentário. “Eu era admirador da marca há décadas. Adidas pra mim nunca mais”, postou outro usuário. “Sou contra esse marketing! Respeitem os consumidores que não compactuam com esse tipo de ‘inclusão’ em desfavor das mulheres normais!”, foi mais uma postagem crítica à ação.

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“Desde criança, eu sabia que estava no corpo errado”

Em entrevista ao portal “Universa”, do “Uol”, Tifanny falou sobre a transexualidade e sua trajetória: “Desde criança, eu sabia que estava no corpo errado. Me via no espelho e não aceitava. Assim que eu vi que era possível, comecei a pesquisar sobre o processo de transição (…) Eu necessitava ser a mulher que eu sou hoje”.

Antes da transição, chegou a atuar no vôlei masculino. “A partir de 2012 deixei o esporte de lado para fazer a transição e fiquei dois anos fora das quadras (…) Sempre quis ser uma jogadora de vôlei e alcancei este sonho. O esporte me ajudou muito neste processo e me acolheu”, declarou. “E me ajudou a ser mais resistente, principalmente quando eu comecei a atuar na liga feminina, recebi muito preconceito disfarçado de ciência, de biologia. Quero usar a representatividade que ganhei no esporte para abrir espaço para surgirem mais atletas trans”.

“Foco nas pessoas que me dão carinho”

A atleta comentou ainda sobre como lida com as críticas de quem diz que ela não deveria jogar no vôlei feminino: “Quando alguém me manda uma mensagem para perguntar se eu poderia ou não jogar a liga feminina de vôlei por ser uma atleta trans, eu explico que sim, que há regras para isso e geralmente 99% mudam de posicionamento. Mas sempre tem aqueles que querem causar, te jogar para baixo. Esses eu evito olhar e foco nas pessoas que me dão carinho. Prefiro pegar as coisas boas e viver com elas”.

Nas redes sociais de Tifanny, ela recebeu incentivo dos fãs, que celebraram a campanha da Adidas: “Te adorooo lindona, Osasco te espera de braços abertos”, foi um dos comentários. “Olhei e gritei: MARAVILHOSA!”, declarou uma seguidora. “Orgulho”, comentou outro. “Você é perfeitaaaaa! Inspiração de todos os dias ❤️ obrigada por me mostrar que meu sonho é possível”, foi mais uma resposta.

Na entrevista ao “Universa”, a jogadora também falou sobre como foi receber o convite para estrelar a campanha da Adidas: “Quando recebi a notícia de que seria uma das caras da campanha, fiquei dois dias sem dormir, de tão emocionada e feliz que fiquei (…) Saber que aquela sementinha que plantei lá no passado hoje dá frutos e eu poder representar a comunidade LGBTG+ em vários lugares do mundo. Minha mãe morreu faz um ano e ela sempre foi muito orgulhosa de tudo o que eu conquistei. A mensagem que eu posso passar é: abrace quem você é e sonhos não são impossíveis”.

Tiffany joga como ponteira e na última temporada defendeu o Sesi Bauru. Nas especulações para a temporada, ela é apontada como nome forte para ser um dos reforços do Vôlei de Osasco.

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