Jovens de Carapicuíba e Osasco estariam entre as vítimas de abuso sexual de Samuel Klein, fundador da Casas Bahia

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Reprodução

Meninas e jovens de Osasco e Carapicuíba estariam entre as vítimas de supostos abusos sexuais cometidos por Samuel Klein, fundador da Casas Bahia, segundo reportagem da agência de jornalismo investigativo “Pública” que denuncia uma suposta rede de exploração sexual contra jovens pobres mantida pelo empresário. Ele morreu em 2014, aos 91 anos.

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Uma das vítimas seria Francielle Wolff Reis, de Carapicuíba, que afirma ter sido abusada por Samuel desde quando tinha 14 anos, em 2008. De família pobre, ela contou à reportagem que foi convidada por uma conhecida para visitar o famoso fundador da Casas Bahia. No escritório dele, em São Caetano, o empresário fez a proposta: “Samuel colocou um pacote de dinheiro em cima da mesa e perguntou: ‘Você quer?’”, afirmou ela à “Pública”.

Após dizer “sim”, a menina de 14 anos teria sido levada a um quartinho anexo ao escritório do empresário na sede da Casas Bahia e, com medo, submetida a sexo vaginal. “A partir desse dia, a adolescente se viu imersa em uma rotina de exploração sexual em troca de pagamentos e presentes. Francielle conta que sofria, se sentia suja, culpada, mas tinha medo de contar para a mãe e vê-la cair em depressão. Por cerca de um ano e meio, a menina teria frequentado o escritório de Samuel de duas a três vezes por semana”, diz a reportagem.

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A mãe, Amélia, suspeitou após ver a filha adolescente chegando em casa sempre com dinheiro ou produtos retirados em lojas da Casas Bahia e foi questionar o empresário, por telefone. Teria ouvido de Samuel Klein que “Francielle era como uma neta que ele gostava de ajudar”.

De acordo com a reportagem, após o questionamento, o empresário mandou entregar em sua casa uma cópia de sua biografia e um DVD com uma reportagem que conta sua história de empreendedorismo. “Eu caí, pensei que ele era um homem bom, admirei ele ter superado a guerra. Nunca iria imaginar a verdade”, lamenta.

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“Francielle continuou frequentando o escritório do empresário. Cinco vezes, viajou com ele e outras adolescentes para Angra dos Reis. Nessas viagens, segundo seu relato, as meninas eram submetidas a uma rotina de violências sexuais no iate em alto-mar ou no chalé da enorme propriedade cercada por seguranças armados”, afirma a reportagem.

Quando sentia falta da menina, o empresário telefonava para a vizinha da garota, solicitava a presença de Francielle e enviava um táxi a Carapicuíba para buscá-la. Até que a mãe da garota decidiu confrontar o empresário mais uma vez e, chegando ao escritório dele, se deparou com diversas garotas que viviam situações semelhantes à filha. No momento que entrei no elevador e vi tanta menina, me perguntei se estava em uma empresa ou numa casa de prostituição. Aí foi que entendi tudo.” Chegando Amélia ao escritório, Samuel ofereceu dinheiro para que ela não o denunciasse, contou.

Mãe e filha passaram a sofrer transtornos psicológicos e Amélia chegou a tentar suicídio. Amélia relata que não aceitou a oferta de dinheiro pelo silêncio e foi até a Delegacia da Mulher de Carapicuíba fazer a denúncia, que acabou arquivada.

“Me senti suja, com nojo e vergonha”

Uma outra jovem, com família em Osasco, conta que foi convidada para um jantar com Samuel Klein pela primeira vez quando tinha 20 anos, em 2008. Depois da refeição, ela contou que Samuel conversou com as participantes sobre seus interesses, estudos e dificuldades financeiras. “Era como uma seleção.” A partir da conversa, o empresário convocava suas preferidas para o quarto, e ela foi chamada. “Me senti suja, com nojo e vergonha. Saí de lá chorando. Você nunca pensa que vai fazer algo assim porque é uma situação de humilhação compartilhada com outras pessoas. Eu via outras mulheres sendo humilhadas ali. O que me atraiu foi o dinheiro, foi o que me fez voltar”, revela.

Embora fosse maior de idade, a mulher conta que foi orientada a dizer que tinha 17 para 18 anos para atender “o estilo de Samuel, que gostava mais de menininha”. “Ele era pedófilo, agia como um. Gostava de meninas com o corpo menos evoluído, que era meu caso. Então ele gostou de mim. A gente tinha que ficar mentindo porque ele gostava disso”, afirmou, à “Pública”.

Em Alphaville, Barueri

A osasquense afirma que frequentou várias residências do empresário, inclusive em Alphaville, Barueri, por três anos, e que os encontros aconteciam sempre com várias mulheres adultas e com a presença de adolescentes.

Outra mulher que frequentou a casa de Samuel Klein em Alphaville, Barueri, na mesma época, entre 2008 e 2009, confirma que era obrigatório o sexo vaginal sem preservativos. “O que ele gostava era de desvirginar mocinhas. Quando ele pegava uma menininha menor, mocinha, que era virgenzinha mesmo, nossa, ele enlouquecia. Dava carro pra família, fazia qualquer coisa”, conta.

“Quando eu estive no quarto, a mulher que estava preparando as meninas mandou eu me tampar porque eu tinha estrias na barriga dizendo ‘tampa se não ele vai ver que você é velha’. Detalhe que eu tinha 18 anos”, afirmou. Clique aqui para ler a reportagem de a “Pública” na íntegra.

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