A agenda do ranço

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A notícia da semana foi a chamada Agenda Brasil, um conjunto de medidas apresentadas pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, à presidente Dilma como proposta para aglutinar forças em torno do que pretende que seja um projeto de recuperação para o país. Um projeto temerário, na medida em que chegou a sugerir cobrar pelo atendimento no SUS ou regulamentar a terceirização.
Mas também deve ter algum eco outra agenda, a do movimento convocado para dia 16. Uma convocação que se propõe a ser “contra a corrupção” e “em defesa do Brasil”, mas que tudo o que seus organizadores conseguem provar é que é propriamente contra o PT e tudo que se identifique como esquerda.

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Uma agenda que ignora (ou refuta) completamente os avanços sociais

Uma agenda que ignora (ou refuta) completamente os avanços sociais alcançados ao longo dos últimos anos. Um movimento conclamado por algumas supostas lideranças que reclamam de levarem multa de trânsito quando cometem infração; vociferam contra a acessibilidade e a democracia das ciclofaixas; contra a justiça social das cotas ou, pior, pedem a volta da ditadura militar e o fim das liberdades individuais.
Um movimento que enaltece nomes envolvidos em escândalos de corrupção a pretexto de combater a mesma corrupção que já está sendo severamente punida com prisões de verdade, pela primeira vez na história do país. De políticos e de grandes empresários.
Ainda assim, o movimento não poupa críticas, mas apenas ao governo federal. Não que ele não mereça a maioria delas, claro. No entanto, o grupo que convoca ir às ruas não questiona a crise hídrica, o escândalo do Metrô de São Paulo, a violência e a falta de segurança no estado, só para citar alguns dos problemas. É, no fim, por isso mesmo, apenas um ranço partidário, que tangencia a discriminação de classe.

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