Brigadista acusado de incêndios na Amazônia ganha autorização para morar em Carapicuíba

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Da esquerda para a direita: Marcelo Cwerver, Gustavo Fernandes, João Romano e Daniel Gutierrez, brigadistas de Alter do Chão acusados de provocarem incêndios na Amazônia / Foto: Divulgação

Marcelo Aron Cwerner, um dos quatro brigadistas presos no ano passado acusados de terem incendiado áreas da Amazônia em Alter do Chão, no Pará, no mês de setembro, ganhou autorização judicial para morar em Carapicuíba, onde vivem seus familiares.

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Ele e outros dois brigadistas acusados, que também tiveram autorização para viver no estado de São Paulo, terão de se apresentar à Justiça paulista todo o mês para informar sobre suas atividades.

A Justiça de Santarém concedeu a eles, acusados de crime contra a flora e associação criminosa, liberdade provisória em novembro o ano passado.

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A Polícia Civil do Pará afirma que os brigadistas provocaram o fogo para se beneficiar da doação de dinheiro destinado ao combate às chamas. Todos os acusados se dizem inocentes e afirmam que, na verdade, lutam para combater as queimadas na floresta.

Do mercado financeiro para projetos ambientais

Em texto na revista Época, Marcelo Cwerner contou um pouco sobre sua trajetória. Ele largou emprego no mercado financeiro, como sócio-diretor de uma consultoria, para viver perto da floresta e se dedicar a projetos ambientais.

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Marcelo Cwerner, que deixou o trabalho no mercado financeiro em São Paulo para se dedicar a projetos ambientais em Alter do Chão / Foto: Arquivo pessoal

“Eu sou o cara dos números. Trabalhei 12 anos no mercado financeiro. Dos 19, quando entrei num banco, até os 30 e poucos, quando larguei meu emprego — eu era sócio-diretor de uma consultoria financeira — para viver perto da floresta. Sempre tive uma conexão com a natureza. Sempre gostei de rio, de mar, de planta. Sou surfista”, declarou Marcelo.

“Lá para 2014, começou a ficar claro para mim que, apesar de gostar em meu trabalho, eu passava pouco tempo na natureza. Estava um pouco farto do mercado financeiro, da competição e do materialismo exacerbado”, contou.

Sobre a acusação de ter ajudado a colocar fogo na Amazônia, ele disse considerar “revoltante”. “Fomos acusados de crime ambiental. É muito revoltante ser acusado do crime que você combate. Foi surreal. Eu protejo a natureza. Eu trouxe minha família para viver naquele paraíso ameaçado. A polícia não investigou meu passado? Qualquer um que olha em nossos olhos sabe que nós jamais botaríamos fogo na floresta”, declarou Marcelo, à Epoca.

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