#HumanidadeLevadaPelaÁgua

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Foi impossível não dar título a esse editorial com a hashtag (ao menos a versão em português dela) que emocionou o mundo. Ainda que quiséssemos evitar repetir o expediente, que fora usado duas edições atrás. Mas a imagem a que está associada essa hashtag – do garotinho Aylan al-Kurdi, de apenas 3 anos, encontrado morto numa praia na Turquia, quase como se estivesse dormindo – continua provocando lágrimas ao redor do mundo. Ela escancara, de forma dolorida, uma realidade que é tão triste quanto revoltante. Como a humanidade ainda falha miseravelmente em entender e acolher a diversidade étnica, promover a tolerância religiosa, sobrepor o interesse coletivo e o direito à vida às questões individuais e econômicas.

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Lideranças se omitem da verdadeira solução
As ondas que carregaram à praia o pobre Aylan, seu irmão e sua mãe, ainda carregam milhares de outros imigrantes fugindo de conflitos e da pobreza na África, Ásia e Oriente Médio. Enquanto isso, de suas residências confortáveis, as lideranças europeias e norte-americanas se omitem da verdadeira solução. Não raro, lançando mão de uma arrogância injustificável que se apoia em discursos nacionalistas ultrapassados e xenofóbicos, acabam por aprofundar ainda mais o problema, com intervenções belicosas que empoderam ditadores obscuros, fascistas malucos e perigosos, facções terroristas que mais tarde se transformam num problema ainda maior para o mundo.
Onde estão os organismos internacionais? Onde está a Organização das Nações Unidas? Onde estão as lideranças globais enquanto assistem, impávidas, a humanidade ser levada pela água, com a morte de centenas de milhares de imigrantes buscando, contra a vontade, refúgio em algum lugar no planeta que os trate com um pouco mais de amor e solidariedade do que a terra onde nasceram?

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