De volta às ruas

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Nesta sexta-feira o movimento sindical volta às ruas para uma série de manifestações que dão sequência à luta pela chamada “pauta trabalhista”. A mobilização é relevante tanto pela própria importância das reivindicações – que concentram temas históricos dos trabalhadores, como a redução da jornada – quanto pelo feito de ignorar as diferenças ideológicas inerentes às correntes que moldam sindicatos e centrais sindicais.

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Mas é preciso enxergar a mobilização sindical também por uma ótica que começa a ser avaliada por políticos e historiadores. Qual será o legado dos protestos e movimentos iniciados em junho, com intensa participação popular? Haverá um efeito duradouro, tanto quanto prático, que poderá ser detectado nas futuras eleições ou, ao menos, na organização e luta em torno de novos temas?

Movimento sindical volta às ruas nesta sexta-feira pela pauta trabalhista

Muitos analistas começam a considerar que, de fato, talvez não exista esse efeito permanente. A experiência internacional recente, das manifestações em Portugal à derrubada do governo no Egito, ajudam a corroborar essa tese. A organização se dá em torno de temas geralmente bastante pontuais (e temporais) e, uma vez resolvido ou atenuado o problema, a situação tende a voltar à condição inicial.

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Esse comportamento é o que reveste da maior importância o papel dos movimentos sociais e da sociedade civil organizada, entre eles o movimento sindical, na manutenção das lutas em torno dos temas transformadores que estão levando o cidadão comum às ruas. É preciso ter clareza que, nos movimentos de junho, a população que foi às ruas se intitulando apartidária ou apolítica, o fez a partir de uma centelha acesa por entidades e organizações que sempre lidaram com os temas colocados. E para se sentir verdadeiramente representado, o cidadão precisa começar a se apropriar desses movimentos e defender, de forma perene, suas bandeiras.

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