Editorial: Beco sem saída

Editorial: Beco sem saída

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Editorial: Governo precisa ouvir os trabalhadores

A irresponsabilidade daqueles que planejam um golpe judicial-midiático contra o governo e, mais do que isso, a prisão e execração pública do maior líder trabalhista vivo do Brasil – o ex-presidente Lula – chegou a níveis não vistos desde o restabelecimento de nossa frágil democracia. A peça de denúncia elaborada pelos promotores paulistas, que inclui inepto pedido de prisão preventiva, recebe críticas até da oposição. Ficou claro: o objetivo principal foi alimentar as manifestações de domingo.

O promotor Conserino chega ao absurdo ao tentar justificar o pedido de prisão. Diz que Lula não poderia ter dado entrevista após ser conduzido ilegalmente pela Polícia Federal dia 4 ao aeroporto de Congonhas. Acusa apoiadores do ex-presidente de “extremistas” e, para coroar a peça, diz que Lula envergonharia Karl Marx e Hegel (na verdade pretendia citar Engels), argumento que parece ter sido pinçado de alguma página neo-direitista do Facebook.

Juridicamente a peça é fraca. Até mesmo o pitbull do PSDB, deputado Carlos Sampaio, golpista de primeira hora, afirmou nesta quinta: “Isso foge à normalidade. [Lula] ser processado é correto. Aguardar o julgamento, é correto, mas não é porque temos divergências políticas que vou querer para ele algo diferente do que quero para qualquer cidadão”. Declaração por óbvio dissimulada para quem insufla diariamente o ódio e as ilegalidades da Operação Lava Jato.

Fato é que a ação do Ministério Público joga mais combustível em um país que está à beira da convulsão. Um governo fragilizado por ter adotado o plano de governo derrotado nas urnas somada à partidarização da mídia, judiciário e PF, colocaram o país em um beco sem saída.

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