Editorial – Protestos forçam discussão sobre transporte

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As manifestações pela redução das tarifas de transportes públicos em São Paulo – e também Rio de Janeiro e Porto Alegre – expõem uma ferida profunda e antiga do país: o alto custo do serviço, de qualidade sofrível, e uma lógica absurda que favorece o transporte
individual e particular em detrimento do transporte público e coletivo.

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Em São Paulo, em especial, o movimento expôs ainda o completo despreparo da Polícia Militar do Estado para controlar a situação, com uso de força desnecessária e muitas vezes excessiva para tentar conter os manifestantes. Até mesmo fotógrafos e repórteres foram alvo da ação truculenta.

O que esse movimento provoca é a rediscussão de todo um sistema

Sem liderança definida e tampouco cunho político, apoiando-se fortemente nas redes sociais e na divulgação boca a boca, o movimento que pede a adoção do passe livre ou exige redução de tarifa estarreceu a classe política e apresentou um paradigma que tem potencial para desnortear a administração pública, não importando se é alinhada à direita ou à esquerda. O que a massa de trabalhadores, estudantes, profissionais liberais e todos os diferentes perfis que se agregam ao movimento estão mostrando é o descontentamento geral da população com um planejamento de transporte coletivo que dá mais peso a contratos e lucros de
empresas concessionárias do serviço público do que ao direito de ir e vir do cidadão.

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Ônibus sucateados, linhas subdimensionadas ou negligenciadas, trajetos de custo desproporcional. Uma realidade presente em quase todas as grandes metrópoles e agora alvos em potencial de manifestações. O que esse movimento provoca, em essência, é a discussão
de todo o sistema de formulação de preços e composição de custos de um serviço que, em tese, como algumas cidades pelo mundo já fizeram, poderia ser custeado pelos impostos que já pagamos, tal como são (ou, pelo menos, deveriam ser), a saúde ou a educação.

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