Lindoso presta contas, fala de racha no PSDB e despista sobre candidatura a prefeito

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Fotos: Leandro Conceição/Visão Oeste

Em entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira (12), o vereador Elissandro Lindoso, o Dr. Lindoso (PSDB) fez um balanço de seus dois anos na presidência da Câmara Municipal de Osasco. Ele comentou ainda o racha no PSDB de Osasco e despistou sobre uma possível e, pelas conversas de bastidores, cada vez mais provável candidatura a prefeito em 2020.

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Lindoso distribuiu uma revista e exibiu uma apresentação de slides com destaques do mandato. Entre os destaques, a economia de mais de R$ 31 milhões na Câmara Municipal. “É um recorde, um feito histórico”, destacou.

Os recursos economizados pela Casa são devolvidos à Prefeitura “para que seja investido em áreas essenciais, em saúde, educação, segurança, para melhorar a infraestrutura da nossa cidade”, declarou.

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Lindoso afirmou que a economia resulta de medidas como a mudança da estrutura da Câmara de imóveis alugados para um mais barato e com acessibilidade, na avenida dos Autonomistas; a substituição de horas extras, que chegavam a dobrar os vencimentos, por banco de horas para os funcionários da Casa; e a revisão e renegociação de contratos. “O contrato de terceirização da limpeza conseguimos diminuir em quase 55%”, exemplificou.

Outra medida de austeridade destacada por Lindoso é a adoção de ponto eletrônico para controlar a frequência dos servidores.

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“O futuro a Deus pertence”, diz, sobre candidatura a prefeito em 2020 

Vereador mais votado na eleição municipal de 2016, resultado que teve influência na escolha dele para a presidência da Câmara osasquense, Lindoso teve, nas eleições deste ano, a quarta maior votação na cidade entre os candidatos a deputado estadual, com 15.867 votos em Osasco, de um total de 30.457 votos obtidos em todo o estado.

O parlamentar também foi um dos protagonistas na região dos “Bolsodorias”, lideranças que, no segundo turno da última eleição, fizeram campanha por Jair Bolsonaro (PSL) à presidência e João Doria (PSDB) ao governo. Ambos acabaram eleitos. Em Osasco, que era tida como reduto petista, Bolsonaro teve 47,98% dos votos e Doria, 31,09%.

Com a ascensão no cenário político, nos bastidores é tida como muito provável a candidatura de Lindoso à Prefeitura de Osasco em 2020, pleito em que deve ter entre os principais adversários o prefeito Rogério Lins (Podemos), em busca da reeleição, e o ex-prefeito Emidio de Souza (PT), eleito deputado estadual na última eleição.

Lindoso se esquiva de comentar sobre uma possível candidatura a prefeito: “o futuro a Deus pertence”. “Nós ainda nem acabamos 2018. Não sei nem se estarei vivo amanhã. Então, não vou me preocupar com 2020 sendo que ainda tem 2019 inteiro pela frente. Tem muita coisa para acontecer, não tenho pressa. Tenho 41 anos, sou novo, não preciso sair feito louco, dá para dialogar e o futuro a Deus pertence”.

PSDB rachado e ameaça de saída 

Lindoso também comentou o momento turbulento vivido pelo PSDB de Osasco. Ele afirma que não pretende sair da legenda, mas deixa a possibilidade no ar: “Se não houver união, moralização, do partido… Não quero sair do partido, mas, se for assim, vou sair. Pego minha malinha e saio”.

Ele avalia que, não só no município, o PSDB passa por uma “profunda crise” e precisa de mudanças. “Nós tínhamos 23 deputados estaduais eleitos em 2014 e em 2018 fizemos oito. Se entrassem 22 esse ano, eu teria entrado. Tínhamos 15 federais, e fizemos seis federais. Isso é a maior prova de que ficar em cima do muro, essa política de cada um puxar para o seu projeto pessoal, não leva a lugar nenhum, para o partido foi muito ruim”, analisa.

Nos bastidores, circulam boatos de que Lindoso estaria “flertando” com o PSL, de Jair Bolsonaro. O vereador osasquense, que assegura que continua no PSDB, declarou que, em meio à crise tucana, se tivesse sido candidato a deputado estadual pelo PSL teria sido eleito.

Expulsão de Vido

Lindoso acusa de traição e pediu que José Carlos Vido, ex-secretário municipal de Saúde e atual chefe de gabinete do prefeito Rogério Lins (Podemos), seja expulso do PSDB, por, acusa, ter apoiado a eleição de Márcio França (PSB), e não do tucano João Doria, ao governo do estado. O pedido é avaliado pelo Diretório Estadual do PSDB.

“Um cara que apoia, de cabo a rabo, candidatos de outro partido, não está no partido”, disparou. “Não acho certo isso. Você não está ali [no partido] porque você quer, não está obrigado. E você tem que apoiar o candidato do seu partido. O projeto não é pessoal, é partidário. Se a pessoa tem projeto pessoal, ela pode pegar a malinha dela e vai embora para outro lugar”, declarou.

Vido, que acusa Lindoso de querer ser “dono do partido” é alvo de críticas da bancada tucana no Legislativo osasquense desde o início do período em que esteve à frente da Secretaria de Saúde, no começo da gestão de Rogério Lins.

O diretório osasquense do PSDB vive ainda uma disputa interna pelo comando desde a morte do ex-prefeito e deputado estadual Celso Giglio, em julho 2017, aos 76 anos.

“O PSDB está uma relação complicada. Meu jeito é sincero, não tenho que ficar fazendo média com ninguém. O PSDB, em Osasco, está rachado, está dividido. Eu até queria tapar o sol com a peneira, mas não dá mais e essa eleição, de 2018, foi a maior prova disso. [De Osasco] Saíram dois candidatos a deputado federal (os vereadores De Paula e Didi), eu acho que tinha que sair um só. Acho que a gente tinha que dar o máximo apoio, se unir, e não aconteceu nisso”.

“Se não houver união, consenso, o PSDB [de Osasco] vai ter muitas dificuldades. Vai acontecer a mesma coisa que aconteceu em outras cidades, [como] Carapicuíba, que não elegeu nenhum vereador do PSDB, Jandira, que não elegeu vereador do PSDB, e por aí vai. Itapevi também, está bem devagar, elegeu o Gordo Cardoso bem ‘na raspa’, em último lugar. Se continuar do jeito que está, pode ter certeza que em 2020 não vai eleger um vereador em Osasco”.

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