Opinião – Nenhum compromisso com a História

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Luciano Martins Costa

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Luciano Martins Costa – Jornalista e escritor. Publicado originalmente no Observatório da Imprensa.

A imprensa brasileira atuou durante a disputa eleitoral como um organismo coeso, empenhado em levar a Brasília um grupo político mais afinado com seus credos. Perdeu a eleição, mas considera que o grande número de votos na chapa da oposição também é seu patrimônio. Portanto, acha-se no direito de ditar parâmetros para o segundo mandato de Dilma Rousseff.
Depois de estimular uma ação rápida do PMDB para neutralizar o projeto de reforma política por meio de plebiscito, agora a mídia tradicional tenta impedir também que se produza um referendo popular para aprovar o que vier a ser apresentado pelo Congresso como proposta de mudança no sistema parlamentar.
Os congressistas que desejam reformar a política são minoria, o PMDB certamente não representa qualquer desejo de mudança e os jornais não querem plebiscito nem referendo. A imprensa bate bumbo, mas age abertamente contra qualquer tentativa de democratizar o sistema decisório.
Não interessa aos controladores da mídia qualquer avanço para além do sistema corporativista criado pela Constituinte de 1988, no qual se construiu um arcabouço de poder imune a interferências externas. O povo é uma dessas externalidades, e os períodos eleitorais costumam produzir tensões extremas porque, numa campanha, cresce o risco de os eleitores acreditarem que podem interferir no campo do poder político.
Reduzida a intensidade do embate, com alguns aloprados ainda gritando nas redes sociais por impeachment e golpe militar, é possível observar como a mídia se recompõe rapidamente para tentar recuperar o mínimo decoro, sem o qual suas ações perdem eficácia.

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