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“Só tem preto”: Morador de Osasco é condenado por comentários racistas sobre o Corinthians

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Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians

Morador de Osasco, Rodrigo F.S foi condenado pela Justiça de São Paulo por comentários racistas em uma postagem sobre o Corinthians nas redes sociais. Decisão da 21ª Vara Criminal Central da Capital determinou 2,4 anos de reclusão em regime aberto, que foi convertida em prestação de serviços à comunidade pelo mesmo período.

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O osasquense também terá de pagar dois salários mínimos, preferencialmente a instituições destinadas ao combate do preconceito racial. A decisão, de 11 de agosto, é da juíza Renata William Rached Catelli, da 21ª Vara Criminal Central da Capital.

Segundo os autos do processo, Rodrigo fez comentários racistas no Twitter sobre uma notícia de Corinthians ter recebido refugiados de dez países para acompanhar um jogo, em 2016. Sobre a foto da matéria, com crianças negras, o morador de Osasco comentou: “que merd*. Só tem preto nessa por*a. Escureceu ainda mais a torcida. Ainda bem q lá no Allians (sic) a torcida é bonita”.

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Em sua defesa, o réu afirmou que tem amigos negros, que vive há dez anos com uma companheira negra e que estava bêbado quando fez a postagem. Além disso, no inquérito policial, na 2ª Delegacia de Repressão aos crimes raciais e delitos de intolerância, ele declarou que não se recordava da postagem e que possivelmente estaria “chapado”, além de estar chateado por não ter conseguido passar em um concurso público, o que ele atribuiu às cotas raciais.

Na sentença, a juíza Renata William Rached Catelli frisou que apontar a existência de familiares ou amigos negros, como fez o torcedor, “é a defesa usual de pessoas acusadas de racismo, como se isso os isentasse de atitudes racistas”. “O réu está sendo julgado por uma postagem racista, não por seu comportamento diário”, afirmou ela.

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Comentário racista em foto de crianças “torna o ato ainda mais repugnante”, diz juíza

A magistrada pontuou, ainda, que o fato de o homem estar embriagado quando publicou seu comentário racista não o torna inimputável e que tal justificativa não pode ser admitida. “O tom usado foi agressivo e hostil, inclusive pelo uso de palavras de baixíssimo nível, classificando a louvável conduta da agremiação esportiva de acolher refugiados como ‘merd*’, indicando que o ato ‘escureceu ainda mais a torcida’, em tom de nítida eugenia e discriminação racial”.

Ao estabelecer a pena acima do mínimo a juíza destacou a insensibilidade do acusado, que “não se importou em destilar seu ódio em uma fotografia na qual foram exibidas apenas crianças, o que torna o ato ainda mais repugnante” e a “especial repugnância e torpeza” da atitude racista, veiculada em uma ação social que buscava a integração de refugiados por meio do futebol.

Corintiano e “branco azedo”

No processo, Rodrigo garantiu ainda que é corintiano e que o comentário tinha como objetivo apenas “trolar” a torcida do próprio time. A juíza avaliou: “Ocorre que não se está julgando a sua ofensa contra um time, e sim os seus comentários racistas dirigidos aos refugiados negros que assistiriam uma partida de futebol. A vítima aqui não é o Corinthians ou o Palmeiras, por isso não interessa ao julgamento da ação para que time o acusado torce”.

O morador de Osasco também declarou no processo que já havia sido chamado diversas vezes ao longo da vida de “branco azedo”, ao que a juíza Renata William Rached Catelli rebateu: “O fato de ter sido chamado de ‘branco azedo’ não o autoriza a proferir horríveis termos racistas”.

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