Fundador da Casas Bahia mantinha rotina de exploração sexual de crianças, diz reportagem

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Reprodução

Samuel Klein, o fundador da Casas Bahia, morto em 2014, aos 91 anos, mantinha uma rotina de exploração sexual de meninas pobres, afirma reportagem publicada pelo portal “A Publica” nesta quinta-feira (15). De acordo com a publicação, Klein teria usado seu poder como empresário bem-sucedido para manter durante décadas um esquema de aliciamento de crianças e adolescentes.

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O fundador da Casas Bahia é acusado de abusar de meninas pobres em troca de “presentes”. A reportagem relata o caso de Karina Carvalhal, que teria sofrido abuso sexual de Samuel Klein desde os 9 anos, iniciados em troca de um par de tênis, na sede da empresa, em São Caetano do Sul.

“Mas ele me cumprimentou e já passou a mão nos meus peitos. Ele dizia: ‘Ah, que moça bonita. Muito linda’”, relembrou Karina, que hoje tem 40 anos, sobre o primeiro encontro com o empresário. “A gente ficava contente que tinha ganhado um tênis. Não tínhamos noção dessa situação de violência”.

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Ela conta que voltou a visitar o empresário em busca de outros “presentes”. Os abusos ocorriam em um quarto anexo ao escritório dele, onde Karina teria sido violentada sexualmente por Samuel Klein a primeira vez, aos 9 anos, contou.

Em meio à pobreza e agressões que sofria do pai em casa, e aos abusos sofridos, Karina se tornou dependente química. Ela estima que a relação de dependência emocional e financeira por meio da exploração sexual exercida por Samuel foi de 1989 até meados dos anos 2000. “Eu vejo agora que eu não tive estudo, não tive infância, não tive meios, não tive ninguém pra cuidar de mim. Se uma pessoa tira a sua infância, seus estudos, a sua casa, você fica sem chão”.

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A reportagem de “A Pública” ouviu mais de 35 fontes, entre mulheres que Samuel Klein de crimes sexuais, advogados e ex-funcionários da Casas Bahia e da família, consultou processos judiciais e inquéritos policiais, teve acesso a documentos, fotos, vídeos de festas com conotação sexual e declarações de próprio punho das denunciantes, além de gravações em áudio que indicam que, ao menos entre o início de 1989 e 2010, o empresário teria sustentado uma rotina de exploração sexual de meninas entre 9 e 17 anos dentro da própria sede da Casas Bahia, no Centro de São Caetano do Sul. Clique aqui para ler na íntegra.

Pagamento no caixa

Reportagens anteriores já haviam relevado que o empresário tinha o costume de mandar garotas de programa retirarem o pagamento no caixa das lojas, o que gerou ações por danos morais de funcionários.

A rede de lojas já foi condenada, ao menos seis vezes, a pagar indenização por danos morais aos funcionários, que eram procurados pelas jovens, apontadas como “garotas de programa”, para retirar pagamentos entre R$ 10 mil e R$ 150 mil dos caixas das lojas, supostamente por orientação de Samuel Klein.

Pai e filho

Agora, Saul Klein, um dos filhos de Samuel Klein, também é acusado de crimes sexuais. Ele é acusado de abusar de pelo menos 14 mulheres em sua mansão em Alphaville desde 2008. A denúncias do escândalo, que veio à tona em dezembro, são investigadas pela Delegacia da Mulher de Barueri.

O herdeiro morador de Alphaville, em Barueri, nega as acusações. Por meio de seu advogado, diz que é um “sugar daddy” (homens que têm fetiche em sustentar financeiramente mulheres em troca de afeto e sexo) e que é alvo de tentativa de extorsão. “Ele era o ‘daddy’ de todos os ‘daddies’, do qual todas as ‘babies’ gostariam de ser ‘babies’”, disse sua defesa.

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