Nati Martins é a 4ª atleta a renovar com o Vôlei Nestlé/Osasco

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Fotojump/Divulgação

Nati Martins se considera uma guerreira. Quem pode duvidar? A menina que perdeu 70% da capacidade auditiva aos quatro anos de idade, cresceu para se tornar uma atleta de alto nível. Sem medo, concessões ou privilégios em quadra, lutou e venceu. Para a temporada 2017/18, a central continuará colocando toda essa coragem à serviço do Vôlei Nestlé.

Além da central Nati Martins, o Vôlei Nestlé já confirmou as renovações de contrato com a meio de rede Bia, a ponteira Tandara e a levantadora Carol Albuquerque.

“Estou muito feliz em fazer parte desse projeto por mais um ano. Que tenhamos uma temporada cheia de alegria, perseverança e superação”, afirma Nati Martins, meio de rede de 32 anos, natural de Lorena, interior de São Paulo.

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Primeira profissional surda de vôlei nacional, Nati vai disputar a segunda temporada pelo Vôlei Nestlé. A central chegou ao time de Osasco em 2016, disposta a encarar o desafio de disputar uma posição que já teve Thaisa e Adenízia como titulares por quase uma década. Trabalhou duro e ajudou sua equipe a conquistar o título paulista e a medalha de prata na Superliga.

“Tivemos um ano muito positivo. Soubemos sair de situações que jamais imaginaríamos. Perdemos, vencemos, caímos e levantamos. Rimo e choramos. Acima de tudo, fomos guerreiras e nos  respeitamos”, avalia.

Nati Martins mira para o futuro sem esquecer de valorizar as lutas e conquistas do passado. “Pessoalmente, vejo que cresci e amadureci muito. A temporada com o Vôlei Neslté me trouxe valores pessoais e profissionais. Tive minhas dúvidas e medos, claro, mas graças a Deus, venci”, afirma a central, que completa.

“Com tudo isso, para esse novo projeto, tenho certeza que cada uma que está na equipe vai buscar seu melhor, sempre de forma profissional. Vejo a formação de um time muito bacana. Vamos nos unir ainda mais com as meninas que vierem e, juntas, buscaremos nosso objetivo número um, o topo”.

Em nome da mãe

O vôlei entrou na vida de Nati aos 11 anos. Mas seu primeiro esporte foi a ginástica olímpica. “Como eu já era alta, a professora de educação física me indicou o vôlei. Comecei e, mesmo com a deficiência, o esporte me deu forças para me superar e vencer. Me considero mesmo uma guerreira. Tenho o problema de audição, mas treino normalmente como todas as outras jogadoras”, afirma a atleta, que agradece a mãe pela criação voltada para a inserção.

“A dona Irani não teve medo de me deixar passar pelas situações da vida. Com seis anos já usava o aparelho auditivo e ia sozinha para a escola. Sou grata por ela ter me liberado e estimulado a esse aprendizado”.

Acostumada a jogar com aparelho auditivo, a central precisou retirar o equipamento para ter a primeira experiência em competições de surdos, no ano passado. Representou o Brasil nos Jogos Pan-Americanos e levou a Seleção Brasileira à conquista da medalha de prata.

A equipe perdeu a decisão para os Estados Unidos, mas, Nati foi eleita a melhor jogadora do campeonato. Agora, após muita luta, a central conseguiu, junto com as companheiras, levantar fundos para disputar a Surdolimpíada, que será disputada na Turquia, de 18 a 30 de julho deste ano.

Temporada de bons resultados

O time de Osasco se manteve entre as maiores forças do Brasil na temporada 2016/17. No período, o técnico Luizomar e suas comandadas foram campeões paulistas, semifinalistas da Copa do Brasil 2017, e vice-campeões da Superliga 2016/17. No Mundial de Clubes, o time terminou em sexto lugar.

 

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