Para não perder o foco

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Passadas as eleições, o clima de guerra entre as torcidas das duas principais agremiações políticas que polarizaram a disputa o tempo todo – PT e PSDB – não parece ter arrefecido. E em meio a descontentamentos e lamentações, medidas amargas e disputas de poder, tem crescido a radicalização dos discursos. A fogueira ideológica é alimentada por duas crises sem precedentes: a crise da água, que assombra o PSDB paulista do governador Geraldo Alckmin, no plano estadual, e o escândalo da Petrobras, pedra no sapato da presidente Dilma Rousseff, no governo federal.
Um dos efeitos mais perniciosos dessa guinada é, infelizmente, o pior resultado que se poderia obter de qualquer crise: nenhuma mudança.

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Enquanto disputam sobre quem fez pior, problema central fica longe das luzes

Enquanto as forças políticas se digladiam numa disputa sobre quem fez pior, o problema central fica longe das luzes. Boa parte do povo se ocupa em crucificar este ou aquele pela crise e a abordagem encontra reforço num comportamento bastante prejudicial da grande mídia. Esta, em momento algum, faz muita questão de dividir adequadamente onde está a responsabilidade do governo estadual, em que o governo federal é culpabilizável, e até onde corruptores – as empresas e grandes corporações – são danosas em todos os esses escândalos.

Enquanto isso, as discussões que poderiam conferir maior transparência e isonomia ao processo político continuam inertes. Inclusive a ação que acaba com o financiamento de campanhas de políticos por empresas, há quase um ano travada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. Último que deveria votar, o ministro pediu vistas quando o financiamento era derrubado por cinco votos a um.
É preciso manter o foco, para não perder o rumo.

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