“Teve pessoas que morreram em cima de mim”, afirma sobrevivente da chacina de Osasco no 2º dia de julgamento

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Câmeras de segurança de um bar mostram momento em que atiradores entram para executar pessoas a esmo na periferia de Osasco durante a chacina de 2015 / Foto: reprodução

No segundo dia de julgamento da Chacina de Osasco, nesta terça-feira, 19, sobreviventes do episódio foram ouvidos como testemunhas do caso. Dois policiais militares (PMs) e um guarda civil são submetidos a júri popular, acusados de participar da execução de 17 pessoas, no dia 13 de agosto de 2015, na região metropolitana da capital paulista.

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O primeiro sobrevivente a falar foi uma testemunha protegida, que utiliza o nome fictício de Elias. O homem reafirmou ter reconhecido o policial Fabrício Emmanuel Eleutério como um dos participantes dos crimes. Como medida de proteção, Elias foi ouvido com o plenário esvaziado, sem a presença dos réus ou da imprensa.

O advogado do policial Nilton Nunes disse, no entanto, que a testemunha caiu diversas vezes em contradição durante o depoimento. “Ele caiu em algumas contradições sérias”, ressaltou,  após o depoimento. “Quando nós o apertamos para que ele falasse a verdade, ele começou a chorar”, acrescentou o defensor.

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Pessoas morreram em cima de mim

Também foi ouvido Marcos Antonio Passini que sobreviveu ao ataque feito em um bar, onde oito pessoas foram assassinadas. Ele contou que estava bebendo e conversando com dois amigos que não sobreviveram ao episódio, quando homens encapuzados chegaram atirando. “Nem imaginava que poderiam ser disparos, parecia uma queima de fogos”, disse, sobre a sequência de tiros que ouviu.

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Passini conta ainda que não houve qualquer conversa ou abordagem. Ele tentou escapar correndo para os fundos do estabelecimento, que estava em obras. Enquanto fugia, foi atingido pelas costas e caiu em uma vala cavada durante a reforma. “Teve pessoas que morreram em cima de mim”, afirmou. “Acordei com os populares pedindo pelos parentes. Quando eu tentei levantar, vi que tinha sido atingido”, relatou o rapaz que, mesmo ferido, conseguiu ir dirigindo para o hospital.

Além dos sobreviventes, foram ouvidos parentes dos mortos na chacina. Fernanda Nunes de Oliveira, irmã de Rafael do Oliveira, disse que não viu razões para o assassinato. “O Rafael era uma pessoa que gostava de todo mundo. Pergunte para qualquer vizinho. Ninguém acredita até hoje”, disse, sobre o irmão que foi baleado depois de um dia de trabalho.

O caso

Os 17 assassinatos ocorreram em um intervalo de aproximadamente duas horas, na noite de 13 de agosto de 2015. Eleutério e o policial Thiago Barbosa Henklain respondem por todas as mortes, enquanto o guarda civil Sérgio Manhanhã, que teria atuado para desviar viaturas dos locais onde os crimes ocorreriam, foi denunciado por 11 mortes.

Eleutério, Henklain e Maranhão são acusados de organização criminosa e homicídio qualificado. Somadas, as penas podem chegar a 300 anos de prisão, disse o promotor do caso.

De acordo com a denúncia oferecida pelo Ministério Público, os assassinatos ocorreram para vingar as mortes do policial militar Admilson Pereira de Oliveira, que foi baleado ao reagir a  assalto em um posto de gasolina, onde fazia “bico” como segurança, e do guarda civil de Barueri Jeferson Luiz Rodrigues da Silva, que foi morto após reagir a um assalto.

Da Agência Brasil

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