“Visão Oeste”, 1 milhão: a alvorada de uma nova mídia regional

“Visão Oeste”, 1 milhão: a alvorada de uma nova mídia regional

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Por Jeferson Martinho
Diretor de Inovação do Portal Visão Oeste

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A decisão de transformar o veículo semanal de maior tiragem impressa regular da região Oeste da Grande São Paulo (35 mil exemplares semanais) em um veículo puramente digital não foi fácil. Mas a marca de 1 milhão de visualizações de páginas num único mês, em agosto, mostra que o caminho está certo.

Sim, esse número é importante, e não apenas simbólico. Estas visualizações (ou pageviews, como denomina o mercado) foram geradas por um total de mais de 550 mil leitores no período. Isso significa dizer que o equivalente a mais de um quarto da população do Cioeste – o maior consórcio intermunicipal do Brasil, composto por dez cidades -, foco central das nossas notícias, acessou o portal Visão Oeste no mês de agosto.

E não foi um fato isolado. Com auditoria constante do Google Analytics, autoridade mundial no monitoramento de acessos online, já há pelo menos três meses, o portal se mantinha, às vezes um pouco acima, às vezes um pouco baixo, da linha do 1 milhão de páginas lidas por períodos de trinta dias. Faltava completar um mês cheio com a marca cravada, para a equipe comemorar.

Os sinais de esgotamento do modelo tradicional, impresso, não eram exatamente novos. Eram evidentes nos números de feedback e na percepção de retorno dos anunciantes, estes últimos, fundamentais. Afinal eram eles – e ainda são – que possibilitam a distribuição gratuita do impresso, e agora a manutenção do portal de notícias. Mas também era possível identificar o fim do ciclo do papel na concorrência, quer fosse local, nacional ou mundial. Reduções drásticas de números de páginas e reduções perceptíveis de tiragens (números de exemplares) em todos os níveis. O fechamento de veículos tradicionais do país e do mundo indicava mudanças no mercado de publicidade.

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Com a situação agonizante do impresso, o plano de longo prazo para a migração – sim, ele já existia – precisou ser acelerado. Enxugamentos, revisão de editorias, aceleração da pesquisa e entendimento do que o leitor regional busca num portal de notícias. Como busca e por que?

Foram feitas as necessárias adaptações para a nova linguagem da rede. Mas sempre com a preocupação de manter a qualidade das informações e as características do jornalismo que fizeram do Visão Oeste referência em notícias sobre Osasco, Barueri, Carapicuíba e região. O processo foi um verdadeiro desbravar do desconhecido, sem que houvesse em algum lugar um exemplo, de características regionais, com ou sem o apoio do impresso, que pudesse ser considerado bem-sucedido.

Também foi preciso desenvolver um novo entendimento do papel do portal como plataforma de prestação de serviços e informação (e, consequentemente, publicidade), combatendo as famigeradas fake news, amplamente disseminadas nas redes sociais, e contribuindo para continuar oferecendo um farol de credibilidade para leitores e consumidores.

Outra parte importante desse caminho foi o investimento em novas tecnologias, programação, técnicas de aprimoramento de SEO (otimização de buscas) e instalações digitais – hospedagens, ou seja, servidores – que pudessem suportar em velocidade e banda um número cada vez maior acessos e consumo de recursos.

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Por fim, era preciso reconhecer que uma nova tecnologia já havia mudado o jogo completamente: o smartphone. Entender que o papel não chega a todas as mãos. Não importa o quão bem distribuído. Mas o smartphone, sim. O Brasil alcançou, em 2017, a marca de 1,5 smartphone por habitante (dado da FGV). E se há redutos e faixas etárias onde ainda é subutilizado, esses redutos não estão nos grandes centros urbanos. Além disso, áreas desenvolvidas como a nossa região metropolitana Oeste da Grande São Paulo contam com ampla cobertura de redes 3G e 4G, e opções de acesso Wi-Fi abundantes, muitas delas públicas, inclusive.

O papel não chega a todas as mãos. Não importa o quão bem distribuído. Mas o smartphone, sim.

É um caminho sem volta. O apego ao papel, à ideia de que apenas ele transmite credibilidade, é um traço cultural que já não se sustenta nos números. E a experiência de informar mensalmente meio milhão de pessoas é uma demonstração inequívoca disso.

Tenho certeza de que a experiência do Visão Oeste mostra a alvorada de uma nova forma de dialogar com a comunidade. De informar e prestar um serviço fundamental para a democracia, ao mesmo tempo em que é possível construir uma alternativa efetiva de publicidade e oportunidade de crescimento para os negócios, sejam eles tradicionais ou digitais.

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