Xuxa relata rotina de abusos sofridos na infância: “culpa, raiva, impotência e medo”

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Foto: divulgação

Em sua coluna no portal da revista Vogue na manhã desta segunda-feira (25), a apresentadora Xuxa Meneghel, de 56 anos, relatou abusos sexuais sofridos na infância, por parentes, professor e amigo da família.

“É difícil escrever, pois tenho que reviver todos os sentimentos: culpa, raiva, impotência e medo. Mas se isso puder ajudar alguém a pelo menos entender essa tribo de gente que assim como eu sofreu abuso, já valeu meu sufoco e esforço”, declarou.

Xuxa revelou que um parente teria começado a abusar dela quando ela tinha cerca de quatro anos e os abusos se repetiram por anos.

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Na escola, aos 11 anos, ela sofreu abuso de um docente. “Meu professor de matemática, que atendia pelo nome de Mauricio, me chamou depois da aula e, mesmo na frente da minha amiga Yara, ele disse que queria me deixar só de calcinha e colocar nas minhas coxas. Me perguntava: o que seria isso? Foi então que eu vi pela primeira vez alguém se masturbar”.

O docente a forçava a manter silêncio. “[O professor dizia que] Se eu falasse pra alguém sobre o que eu tinha visto ou o que ele havia falado: ‘ninguém iria acreditar, pois entre a palavra de um aluno e de um professor, o professor sempre ganha’.” Ela contou à irmã, que ficou furiosa, e foi transferida de colégio.

“Por que isso aconteceu comigo? Não sei. Por que não gritei? Por que não falei logo pra minha mãe? Não sei! Não sei mesmo”, diz Xuxa.

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A apresentadora revela que, por volta dos 11 anos, também foi vítima de um namorado da avó. “Uma vez vendo TV, ele acariciou meu cabelo, o cheirou e logo depois desceu a mão para os meus (quase) seios e os apertou. Doeu e eu o fiz parar, e ele disse que era só um carinho e que só o ‘vovô’ podia fazer porque me amava como neta”.

“Por que não gritei? Por que não chorei alto? Por que não falei para minha mãe? Não sei, não sei”, emenda Xuxa.

Ela também afirma ter sido abusada pelo melhor amigo do pai: “Eu acordava com sua mão me tocando. Por que eu? Não sei!”.
“Aos 13 anos, ele fez uma casa e me chamou para ver como estavam as obras. Disse que eu teria um quarto para dormir lá quando quisesse… Eu até o chamava de padrinho! Ele disse: “Dá um abraço no seu padrinho, faz tempo que você não faz isso” e me encurralou na parede de pedras da varanda e colocou suas mãos por debaixo da minha camiseta. Eu estava de biquíni e camisetão. Ele tentou beijar minha boca”, conta Xuxa.

“Chorei muito e pensei: se falo pra minha mãe, eles vão se separar, pois ele era o melhor amigo do meu pai. Se falo para o meu irmão, ele vai querer matá-lo…”, relata a apresentadora.

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“O que fiz? Me calei até os quase 50 anos, quando resolvi falar no Fantástico, pois queria divulgar o disque denúncia, o Disque 100. Queria alertar as pessoas. Nós geralmente não queremos falar, porque é feio, porque não é certo, porque aprendemos que sempre tem que ter um culpado numa situação como essa. E é claro que nos sentimos culpados – eu me sentia culpada apenas por existir”.

“Dos 4 até os meus 13 anos, eu passei por várias situações que me fizeram ter mania de limpeza. Tomo de 3 a 4 banhos por dia, tenho vontade de estar com crianças pois elas não me fariam nenhum mal – isso é coisa de adulto. Hoje, quero emprestar minha voz em campanhas paras crianças que não falam, não gritam e choram sozinhas. Eu preciso fazer isso por elas, já que não fiz por mim”, completa a apresentadora em sua coluna na Vogue. Clique aqui para ler na íntegra.

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