Editorial: O pronunciamento de Dilma e o debate eleitoral

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Enquanto a oposição e os prováveis adversários da presidente Dilma Rousseff nas eleições de outubro reclamam de oportunismo de seu pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV, às vésperas do Dia do Trabalhador, a discussão desvia-se do foco central e dos aspectos que mais interessam justamente aos trabalhadores. Por outro lado, esse mesmo distanciamento, de fato, atende meramente a interesses eleitorais.
Pelos temas e pelo timming, pode realmente parecer que a chefe do Executivo federal tirou vantagem da prerrogativa de falar à Nação. Contudo, há de ressaltar que ao fazê-lo nesta época Dilma não fugiu ao padrão que se estabeleceu desde o primeiro ano de seu mandato.
E, de fato, voltou à TV com temas que interessam aos trabalhadores, como o reajuste do bolsa família; a política de valorização do salário mínimo e a correção da tabela do Imposto de Renda, que diminuiu a mordida do leão e reflete diretamente na classe média assalariada. Neste último caso, no entanto, Dilma pode enfrentar turbulência. No mês passado, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) entrou com ação direta de inconstitucionalidade (ADIN) no Supremo Tribunal Federal (STF) para que a correção seja pelo índice oficial da inflação, o IPCA, que projeta 6,5% para o período; não apenas 4,5%, como anualmente o governo tem adotado.
Outro aspecto fundamental do pronunciamento da presidente foi a retomada do tema reforma política. Esta é uma medida cuja cobrança ganha cada vez mais força junto aos movimentos sociais, mas a classe política tem sistematicamente evitado. A ponto de levar alguns movimentos (veja matéria na edição 536 do Visão Oeste) a defenderem a eleição de uma assembleia nacional constituinte exclusiva para elaborar o texto.
Diz a presidente que há vontade política para tanto. Mas a pergunta é: onde está?

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