Tráfico humano: desperte para essa realidade

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*Helena Ribeiro da Silva

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Quatro dias e 58 denúncias de tráfico de mulheres. Esse é o saldo da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR). De 3 a 7 de fevereiro, a quantidade registrada alcança a demanda do ano inteiro de 2012: 58 denúncias. A busca intensa pelo serviço da SPM pode ser associada ao chamamento da ministra Eleonora Menicucci, da SPM, para que cidadãs e cidadãos delatem crimes de violência contra as mulheres e acessem os serviços públicos.

Um pequeno avanço, para drenar esse mar de lama. É inadmissível que, em plena era da informação, da modernidade, dos avanços tecnológicos e científicos, das inúmeras conquistas realizadas pelas mulheres e pelos trabalhadores em geral, ainda exista a violência do tráfico de pessoas, comandado com sofisticação por quadrilhas especializadas.

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O medo de denunciar continua sendo um grande aliado dos traficantes que aliado à corrupção, falta de recursos da polícia, baixos riscos e altos lucros, convidam ao crime, tornando essa relação de exploração uma das grandes chagas da sociedade capitalista na vida das mulheres e homens, que precisando sobreviver, submetem-se a condições degradantes.

Vivemos um momento histórico no qual os períodos de crise econômica agravam as dificuldades expondo meninas meninos, mulheres, travestis e outros à violência e a poucas condições sociais, propiciando a exploração dos trabalhadores, uma vez que o capitalismo se fundamenta na realização de lucro para poucos à custa do trabalho de muitos, a qualquer preço.

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Não podemos deixar que isto se torne uma estória corriqueira. É dever do Estado e da sociedade adotar uma postura intransigente e determinada para enfrentar o tráfico de pessoas.

Todos devem denunciar buscar a coragem e DENUNCIAR. As leis devem ser rígidas e praticadas, os recursos devem chegar ao seu destino e prover os órgãos que lutam contra o crime. É preciso, mais do que nunca, falar, discutir, informar, para que as mulheres e homens do Brasil não ignorem esse tipo de crime. Não podemos permitir que as pessoas sejam vítimas dessas quadrilhas, sejam escravizadas e exploradas, mantidas sem dignidade e liberdade.

Não podemos permitir que muitos ainda duvidem que este comércio exista ou fique indiferente acreditando que o problema jamais vai alcançá-lo. Não dá para aceitar que o Brasil seja o maior exportador de crianças e mulheres para prostituição das Américas e que sirva como país de trânsito para as aliciadas nas nações latino-americanas a caminho da Europa, Ásia e EUA. Isto é uma vergonha.

A sociedade precisa reagir… e rápido!

 

Helena Ribeiro da Silva é secretária-geral da Federação dos Empregados de Agentes Autônomos do Comércio (Feaac).

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